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Livro eterniza 80 personagens de Chico Anysio
LIVRO Idealizado por Ziraldo e editado pelo selo Di Momento, ‘É Mentira, Chico?’ reúne desenhos dos 40 maiores cartunistas do Brasil
Justo Veríssimo, Painho, Bozó, Alberto Roberto, Azambuja, Coronel Limoeiro, Salomé... Os brasileiros que viveram a segunda metade do século XX conhecem cada uma destas figuras como se fosse um amigo íntimo, um parente, uma pessoa de verdade. Foi pensando em eternizar estes autênticos tipos brasileiros que Ziraldo idealizou o livro É Mentira, Chico?, um verdadeiro documento reunindo 80 personagens de Chico Anysio, cada um com sua biografia escrita pelo próprio Chico, o roteiro de uma esquete e ainda caricaturados pelos 40 maiores nomes do desenho de humor nacional. O livro chega às livrarias pelo selo Di Momento, da Editora Resultado, e com patrocínio da Santana Textil do Brasil.
Chico Anysio atesta que esta é a maior homenagem que já lhe foi feita. “Este livro é um meio de deixar gravado para as futuras gerações o trabalho que fiz, sempre dedicado ao povo brasileiro. O material organizado pelo Ziraldo é deslumbrante e as caricaturas são de arrepiar. Sou muito grato a ele por isso”, emociona-se, enquanto Ziraldo justifica o tributo: “Chico Anysio, como artista, é um fenômeno único. Que ator no mundo criou 200 personagens, todos eles tão autênticos, como se fossem seres humanos reais? Posso dizer, sem sombra de dúvidas, que ele é o maior ficcionista brasileiro. Chico criou a mais completa galeria de tipos humanos brasileiros da ficção nacional”, enaltece o autor e cartunista. Como uma verdadeira obra de arte, É Mentira, Chico? Tem a curadoria de Ricky Goodwin, que trabalha no segmento de humor há mais de 40 anos. A pesquisa foi feita por André Lucas, filho de Chico, e pelo jornalista Sérgio Martins. O projeto gráfico é de Fernanda Precioso. Junto com Ziraldo, Ricky escolheu os 40 melhores caricaturistas brasileiros da atualidade: nomes como Chico e Paulo Caruso, Lan, Aroeira, Ique, Cárcamo, Loredano e o próprio Ziraldo. “Nosso objetivo principal foi mostrar a grande variedade de personagens do Chico. O livro acabou adquirindo um aspecto secundário de catálogo da caricatura brasileira contemporânea. Além da riqueza de personagens do Chico, temos uma ampla variedade de caricaturas, cada uma com diferentes técnica e estilo, algumas mais realistas, outras de vanguarda”, explica Ricky. O próprio Chico Anysio assina as biografias de cada um dos personagens. “Sempre criei cada um como se fosse uma pessoa independente de mim. Já tinha guardados, na memória e em alguns arquivos, seus nomes completos e características de família. Deu trabalho, mas foi bastante prazeroso de fazer”, explica o humorista. Nestes textos descobrimos algumas curiosidades como, por exemplo, que o nome completo de Bozó é Sérgio Dias Magalhães Marinho. Já Azambuja é “Paulo Maurício Azambuja, cidadão carioca, nascido e criado no bairro do Estácio (...), filho de Dona Lupiscínia e de um pai que alguns dizem ter sido o cantor Roberto Silva”. Nas esquetes dos personagens o leitor vai se deparar com bordões inesquecíveis como “É mentira, Terta?”, do Pantaleão, que deu origem ao nome do livro; “Certo, Biscoito?”, do bêbado Tavares; e “Vamos correr a sacolinha!”, do missionário Tim Tones. No texto de Painho, o impagável pai de santo baiano diz “E eu sou de botar dendê no acarajé alheio?”. Justo Veríssimo delicia o leitor com a seguinte pérola, em uma festa para o seu ‘eleitorado’: “Pobreza amiga, esta festa é uma prova de que sou amigo da pobreza. Comam até a bochecha fazer bico. Quero ver a pobreza de pança cheia. Comam mais. Ninguém sabe o dia de amanhã. Nem o Maluf!”. Nada mais atual... Toda renda de direitos autorais resultante da venda, tanto dos cartunistas quanto do próprio Chico, irá para o Retiro dos Artistas. “Nada mais natural, pois Chico sempre apoiou os velhos artistas, dando oportunidade a eles em seus programas, como a Escolinha do Professor Raimundo”, completa Ziraldo. |