A decisão do Campeonato Mundial de Fórmula 1 em 1989 seria na pista de Suzuka, no Japão, mas ao contrário do que ocorrera no ano anterior, dessa vez seria desfavorável a Ayrton Senna, cuja necessidade do título obrigava-o a vencer as duas últimas corridas (Japão e Austrália) e ainda torcer por tropeços de seu companheiro na Mclaren, o francês Alain Prost.
Como sempre fazia quando precisava muito da vitória, o brasileiro tratou de largar na liderança, mas não saiu corretamente no momento da luz verde e Prost se favoreceu disso para assumir a ponta antes da primeira curva. No replay da largada, percebe-se que o francês sai antes do momento autorizado, mas a Federação Internacional de Automobilismo (FIA), negligentemente ignorou isso e não puniu o piloto.
O fato é que o público presente ao autódromo e os telespectadores do mundo inteiro, assistiram a perseguição de Senna em busca da liderança de Prost. O francês tentava abrir vantagem, mas o piloto de capacete amarelo sempre era visível no retrovisor do carro de Prost. O líder tentava colocar retardatários entre ele e o brasileiro, mas para azar de Alain, Senna se livrava muitíssimo bem deles.
No momento em que Ayrton finalmente tentou a ultrapassagem em cima do francês, na chicane que dá acesso à reta dos boxes, Prost joga o carro para o lado, acertando a Mclaren de Senna e os dois ficam parados. Como a vantagem do campeonato era de Alain Prost, ele rapidamente sai do carro, enquanto Ayrton pede desesperadamente para que os fiscais da pista o empurrem e ele possa retornar à pista. O brasileiro contorna os pneus de proteção, vai ao boxe e troca o bico, quebrado no momento da batida.
Senna volta o mais rápido do que nunca à pista em busca do primeiro colocado, o italiano Alessandro Nanini, e no mesmo ponto em que tentou ultrapassar Prost, passa por Nanini na penúltima volta e vence a corrida. Mas nem sequer chegou a subir ao pódio. O presidente da FIA, Jean Marie Balestre, era ninguém menos do que um francês e considerou errada a atitude do brasileiro em pedir ajuda aos fiscais e retornar por fora da pista. Resultado: Ayrton Senna foi desclassificado da prova e o título (no caso o terceiro título) ficou com Alain Prost e Ayrton teve um desgosto tão profundo que chegou a pensar em abandonar o burocrático circuito da F1. Por sorte não o fez e no inverno de 1990, lá estava ele para os treinos de pré-temporada na Europa, pronto para mais um ano na principal categoria do automobilismo. A boa lembrança da temporada, foi a superação por parte do brasileiro no número de 33 pole-positions pertencentes a Jim Clark.