Até se iniciar a segunda metade da temporada de 1990, na Alemanha, Ayrton Senna só tinha voltado a vencer em Mônaco e no Canadá, e o campeonato se anunciava mais equilibrado do que a própria Mclaren poderia supor. Alain Prost acertara a Ferrari e estava no encalço de Senna. Até aquele ano, o brasileiro era o grande ídolo dos alemães, e na terra da cerveja venceu pela terceira vez seguida (1988, 89 e 90). Mesmo com um problema num dos pitstops, ele dominou a corrida e venceu.
O GP da Bélgica veria outra vitória de Ayrton, a quarta dele em Spa-Francorchamps. Para isso, Senna teve que largar três vezes, devido a duas confusões entre os carros. E, nas três, pulou à frente. Mas a vitória mais consagradora de Senna em 1990 foi no GP da Itália (Monza), diante dos tiffosi ferraristas que acenavam placas com os dizeres: "Silêncio, Senna. Aqui em Monza fala a Ferrari". O brasileiro fez pole, volta mais rápida e vitória, abrindo 16 pontos de vantagem sobre o ferrarista Prost.
Depois de alguns percalços enfrentando Mansell e Prost, veio de novo o GP de Suzuka. Mesmo estando a Ferrari com mais potência, Senna conseguiu no braço a pole position. O brasileiro tinha nove pontos a mais do que Prost e, dessa vez, seria ele a não ter nada a perder em caso de acidente. Nenhum dos dois cedeu um milímetro na luta, e a decisão do título não durou mais do que 900 metros.
Na largada, Prost tomou a frente, mas permitiu uma brecha a Senna. Para evitar a ultrapassagem, o francês fechou o brasileiro. Senna não arredou o pé, e os dois se chocaram, indo para a brita. Em off ao amigo Galvão Bueno, Ayrton dissera ter se enganado no momento da curva e ao invés do freio, acabou pisando no acelerador, o que não convenceu muito, afinal o francês havia feito algo parecido com Senna um ano antes (quando colidiu com o brasileiro, que acabou desclassificado da corrida na mesma pista). O fato é que Ayrton Senna da Silva era o novo Bicampeão Mundial de Fórmula 1. Mesmo se considerando uma vingança, aquele era um desfecho justo para uma temporada em que Senna foi melhor, com seis vitórias contra cinco de Prost.
Ao final da corrida, festa da equipe Benetton, com Nelson Piquet vencendo uma prova depois de três anos e o também brasileiro, Roberto Pupo Moreno, chegando em segundo, conquistando a dobradinha da equipe. Confira agora os melhores momentos da corrida, narração de Galvão Bueno e comentários de Reginaldo Leme.