-- Animais & Cia
-- Atualidades
-- Cidades
-- Ciências e Tecnologia
-- Coluna Social
-- Crônicas e Poesias
-- Educacao
-- Empresarial
-- Entretenimento
-- Esportes
-- História e Literatura
-- Humor
-- Informática
-- Internacional
-- Jovens
-- Justiça & Direito
-- Meio Ambiente
-- Pais e Filhos
-- Política
-- Religião Cristã
-- Religião Outras
-- Sexo
-- Terceira Idade
-- Turismo
-- Vida e Saúde
-- X Diversos
.

 
 

Você está em Cidades
 
Adriana Amorim

[ Adriana Amorim ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Jornalista. Experiências em jornal impresso, rádio, fotografia, internet, editoração eletrônica e vídeo. Interesses por jornalismo, educação, política, cinema, literatura, fotografia, música, seriados e mais alguma coisa.

 

E o outro lado do rio? - Parte II

Na postagem anterior, abordei a questão da revisão do Plano Diretor da cidade de Natal. A novidade é que seu texto original já foi aprovado pelos vereadores, por unanimidade, estando na espera apenas a votação das emendas. E esse, na minha opinião, é o ponto que merece mais atenção, pois este instrumento pode ocasionar um verdadeiro desenvolvimento insustentável naquela que hoje é a região que mais cresce na cidade: a Zona Norte.

É importante salientar que o Plano Diretor também tem seus pontos positivos. A principal e mais importante modificação foi a constituição de uma lei de arborização em toda Natal. Essa, sim, foi a melhor contribuição para o documento. Em contrapartida, as críticas superam os elogios.

Atualmente, a Zona Norte possui um cenário imobiliário quase que totalmente horizontal, além de inúmeras áreas livres, permitindo uma melhor qualidade de vida à população. Lá, 99,13% das pessoas vivem em casas, e apenas 0,71% em apartamentos. Além disso, um dos principais fatores que motiva a ocupação da região é o baixo valor dos imóveis e terrenos. No entanto, essa realidade está bem próxima de mudar. Com a nova Lei vigorando e somado aos grandes investimentos que estão sendo instalados na região em ritmo acelerado, a Zona Norte passará a ser o alvo de maior visibilidade por parte dos empreiteiros.

Para você que mora em Natal, imagine a avenida João Medeiros Filho, mais conhecida como “Estrada da Redinha”, tomada por prédios luxuosos de até 90 metros de altura em todo seu entorno. Imagine, também, outras localidades da Zona Norte seguindo o mesmo ritmo de verticalização. Agora, imagine que, em apenas dez anos, grande parte da região estará impedida da livre circulação de ar, transformando muitas áreas em verdadeiras ilhas de calor.Essa é a tendência, a partir de agora, em decorrência da revisão do Plano Diretor de 1994. Apesar de ser um instrumento de normatização do município revisado por todos os setores da sociedade, esta liberação, antes restrita a 65 metros, está sendo o ponto de maior discussão entre os ambientalistas, sobretudo porque Natal vai passar a admitir prédios altos inclusive em áreas onde a infra-estrutura instalada não comportaria essa demanda.

Conversando com um geógrafo que tem participado efetivamente das discussões em torno da nova revisão do Plano Diretor da cidade, principalmente sobre os assuntos referentes à Zona Norte da capital, é perceptível que a população não quer prédios com mais de 65 metros. E vale salientar que, em termos de corporação de bombeiros, Natal não possui equipamento suficiente para combater incêndios ou quaisquer problemas eventuais que venham ocorrer em prédios dessa magnitude.

Agora, somente nas regiões da Redinha, Salinas, Igapó e Beira Rio não serão permitidas edificações. O restante da Zona Norte, em regime de outorga onerosa, ou seja, por meio do pagamento de uma taxa, a construção de prédios altos estará livre. “Isso é mais um passo da Construção Civil em termos de desenvolvimento”, disse o geógrafo Gustavo Silage, ressaltando que não significa, necessariamente, um ponto positivo aos residentes da Zona Norte.

Expansão Excludente

Apesar de a medida atrair uma série de empreendimentos privados, a expansão pode vir a ser o grande inimigo da população local. A tendência é que, com a construção de prédios de grande porte, haja uma supervalorização dos lotes, tornando-se inviável para a população local residir, devido a elevação do IPTU, como destacou Gustavo.A princípio, essa intensificação pode parecer positiva, já que os lotes estarão muito valorizados e a necessidade por mão-de-obra será extremamente necessária. “A Zona Norte vai ser o principal alvo dos empreiteiros que costumam usar o velho argumento de que estará gerando desenvolvimento e emprego. Então, a grande parte da população desempregada verá isso como boas oportunidades, não percebendo que serão trabalhos paralelos e temporários”, explicou.

Além disso, um prejuízo ainda maior poderá acontecer. De acordo com o especialista, as pessoas não terão condições de viver no seu local, sendo obrigadas a procurar outros lugares para morar. A tendência é que elas sejam vagarosamente empurradas para Ceará-Mirim, São Gonçalo do Amarante ou outras localidades, de forma que possam sobreviver.Sobre essa questão, Gustavo foi enfático ao afirmar que a idéia desses grandes empresários, em sua maioria, provavelmente, investidores estrangeiros, não é gerar emprego, e sim excluir a população local de participar do processo de desenvolvimento da Zona Norte. “Eles estarão impedindo as pessoas de terem qualidade de vida. Essa é a grande preocupação nossa, não apenas como ambientalistas, mas, principalmente, enquanto moradores da cidade”, acrescentou.

Oportunidades e Perdas

O adensamento na Zona Norte de Natal, a princípio, vai gerar uma série de benefícios, a começar pela necessidade do aumento nos postos de comércio, gerando mais emprego na região, ou seja, mais gente vai viver e trabalhar no seu local de convívio. Entretanto, com mais pessoas reunidas num mesmo espaço, a tendência é que haja aumento de estresse e perda da qualidade vida, além de um aumento excessivo da criminalidade.

Essa rápida expansão da região deverá ser acompanhada também de fortes investimentos do Poder Público. Por isso, é preciso pensar mais adiante. Com o aumento da população por metro quadrado, serão necessários maiores investimentos nos sistemas e serviços públicos, como construção de mais escolas, hospitais e postos de saúde, maior oferta de policiamento, bombeiros, transportes públicos, água, esgoto, energia, telefonia, enfim, todos os serviços básicos.

É importante ainda enfatizar que tudo isso deverá ter maior concentração em áreas de maior adensamento. Por isso, é necessário que haja planejamento, pois o tráfego da Zona Norte, que há muito tempo é considerado um dos maiores problemas da região, tenderá a ser pior. E mais, a malha viária deverá ser mais bem estruturada, e isso significa a construção de mais ruas e avenidas.

Sobre a acessibilidade entre as zonas Norte e Sul, o geógrafo Gustavo Silage disse que, num primeiro momento, a ponte Forte-Redinha dará uma boa contribuição na desobstrução do trânsito da ponte de Igapó, já que parte das linhas de transportes públicos deverá ser desviada para a nova ponte. “Essa redução do numero de veículos vai facilitar um tráfego mais rápido e eficiente, mas pode ser que futuramente seja necessária a construção de mais uma ponte”, disse.

O Futuro da Água

Atualmente, as únicas áreas que possuem saneamento básico na Zona Norte são Igapó e a comunidade do Beira Rio. O restante da região utiliza fossas ou despeja seus dejetos diretamente na rua. Silage explicou que as conseqüências dessas ações são catastróficas, já que o esgoto vai diretamente para o lençol freático, para a Lagoa de Extremoz e para o rio Potengi. “É importante salientar que 70% da Zona Norte depende das águas oriundas da Lagoa de Extremoz, e ela tem sido poluída dia-a-dia, além de que tem sofrido um processo de assoreamento constante”, esclareceu, complementando que, ultimamente, a demanda está sendo maior do que a oferta. “Se não forem tomadas as devidas ações preventivas o quanto antes, muito em breve a lagoa será comprometida e, conseqüentemente, o abastecimento de água para a Zona Norte”.

Concluindo... 

É, caro leitor... esses são alguns exemplos de desenvolvimento insustentável que, provavelmente, se instalarão na Zona Norte de Natal. Isso porque é evidente que ninguém está nem aí para aquela região, a não ser os políticos de meia tigela que fingem se importar com alguma coisa em época de campanhas ou pré-campanhas ou ainda aqueles que têm outros interesses, também políticos. Eu havia prometido que contaria um pouco da história da Zona Norte, mas, sobre este assunto, você vai conferir na próxima postagem, recheada de fotos, quando termina a série de textos sobre os problemas da Zona Norte.
Até...





Você gostou deste artigo? Então compartilhe com seus amigos:

 
Facebook
Twitter: Google+

-------------------------------------------------------------------------------------------------------
s
s
------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O botão de comentário acima irá acionar o colunista para te postar uma resposta sobre o comentário. Ou, se preferir, comente usando seu perfil do Facebook:




:: Sistema Municipal de Cultura de Itabira ( Cidades - Mauro Moura )

:: O Amor meio correspondido ( Cidades - Mauro Moura )

:: Ariano Suassuna, Ouro Preto e a Cadela Branquinha ( Cidades - Elisabeth Camilo )

:: Exemplo a ser seguido pensando na segurança dos usuários de bancos ( Cidades - Wallace Moura )

:: Participe bella do 40º Festival de Inverno de Itabira ( Cidades - Mauro Moura )

:: Ouro Preto, Trânsito e a Casa da Mãe Joana ( Cidades - Elisabeth Camilo )

:: Segundas-Feiras em Ouro Preto: desmotivação para turistas e perda imensa de receitas a partir do turismo ( Cidades - Elisabeth Camilo )

:: Pra frente, Brasil. ( Cidades - Mauro Moura )

:: Viver em Ouro Preto ( Cidades - Elisabeth Camilo )

:: A Sociedade do Espetáculo II ( Cidades - Elisabeth Camilo )

:: PAC das Cidades Históricas, Itabira continua em esforço de guerra ad eternum ( Cidades - Mauro Moura )

:: Duplicação da BR 381, remendo em pano velho ( Cidades - Mauro Moura )

:: Itabira em esforço de guerra ad eternum ( Cidades - Mauro Moura )

:: Recife e Salvador são as cidades mais difíceis de conseguir emprego ( Cidades - Isis Nogueira )

:: O grande baile, as princesas e o príncipe da paz ( Cidades - Elisabeth Camilo )

:: Ouro Preto - A Cidade sem Semáforos ( Cidades - Elisabeth Camilo )

:: A SMACON e seus paradigmas ( Cidades - Mauro Moura )

:: Presente de final de ano ( Cidades - Mauro Moura )

:: Incêndios em Ouro Preto ( Cidades - Elisabeth Camilo )

:: Jardim de plástico ( Cidades - Mauro Moura )
 
 
LiveZilla Live Chat Software

 


   



Site administrado pela

Biblioteca ||  Classificados
Sala de Bate Papo