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Rafael Abreu

[ Rafael Abreu ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Estudante de Jornalismo, nascido em meio a brusca selva amazônica, no antigo território do Guaporé.

 

Mudanças Climáticas, o desafio da humanidade

 A imensa quantidade de gases despejados na atmosfera está causando o aumento na temperatura da terra. Recentes pesquisas mostram que as atividades humanas são as principais responsáveis pelas mudanças climáticas. O relatório do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) culpa a ação do homem em 90%.

 

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - Inpe, o Brasil está mais vulnerável às mudanças no clima do que se imagina, por causa de queimadas e do aquecimento global. Em um cenário pessimista a Amazônia pode ter uma elevação de temperatura em ate 8° C e redução no volume de Chuva em 20%.

 

Segundo o Ministério de Ciência e Tecnologia, o Brasil é o quarto emissor de gás carbônico do Mundo, lançando cerca de um bilhão de toneladas por ano e os principais responsáveis pela emissão de gás de efeito estufa são as queimadas correspondendo 75% do lançamento. Outro fator preponderante para o aumento concentrado de gases no ar é o desmatamento que diminui o potencial das florestas reterem o dióxido de carbono.

 

Na atual conjuntura, mesmo se o mundo parasse de ejetar gases na atmosfera, esses permaneceriam mais de séculos presos e continuariam gerando alterações climáticas.   

 

Nos últimos cem anos, a Terra ficou 0,7° C mais quente, o que pode parece muito pouco mas esse aquecimento alterou o clima do mundo, causando derretimento de geleiras, elevação do nível do mar, furacões mais intensos, enchentes e secas mais fortes. Caso não mude o panorama se prevê um aumento em 2º C acima dos níveis existentes, com risco de extinção em massa, colapso dos ecossistemas, falta de alimento, escassez de água e grandes prejuízos econômicos. Para não chegar aos 2º graus Celsius, especialista consideram prescindível redução de 50% das emissões de gases de efeito estufa. 

 

Algumas tendências levantadas por cientistas apontam necessidade de mudança no consumo de energia e do outros recursos que estariam contribuindo para a crise ambiental.

 

Em 2006, o mundo utilizou 3,9 bilhões de toneladas de petróleo. O uso de combustíveis fosseis produziram 7,6 bilhões de toneladas de emissões carbônicas, e a concentração de dióxido de carbono na atmosfera atingiu 380 partes por milhão.

 

Mais madeiras foram removidas das florestas em 2005 do que qualquer período anterior.

 

O aquecimento global está colocando em perigo a biodiversidade, acelera a perda de habitats, altera o período migratório, floral, e força algumas espécies a se deslocarem para outros lugares.

 

Os oceanos absorveram metade do dióxido de carbono emitido pela humanidade nos últimos 200 anos. As mudanças climáticas estão alterando as rotas de migração de peixes, elevando o nível do mar, intensificando a erosão nas áreas costeiras, aumentando a acidez dos oceanos e interferindo nas correntes que movem nutrientes.

 

O mundo experimentou mais desastres naturais em 2006 do que nos três anos anteriores. Perto de 100 milhões de pessoas foram afetadas.

 

Um dos panoramas do Painel Intergovernamental e da Organização Mundial de Meteorologia estima que 150 mil pessoas morram pelas alterações climáticas e 5 milhões de casos de doenças relativo ao aquecimento global.

 

As Mudanças Climáticas ocorrem quando os gases aprisionados na atmosfera provocam calor excessivo que eleva gradativamente a temperatura do planeta, conhecido como aquecimento global.  O acúmulo desses gases (principalmente de gás carbônico [CO2], gás metano [CH4] e oxidonitroso [NO2]) no ar, chama-se Efeito Estufa, é um efeito natural que mantém a terra aquecida, esse processo natural tem sido aumentado pela emissão excessiva de gases pelo homem.

  Rondônia

No Estado a mudança no clima pode alterar o regime térmico (temperatura) e das chuvas afetando a vegetação e aumentando o índice de doenças tropicais é o que diz Marcelo Gama, Meteorologista da Sedam (Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental) “pode haver alterações na vegetação, elevar o índice de doenças tropicais e acontecer eventos extremos como a seca da Amazônia em 2005”.

 

Para o Geólogo/Analista Ambiental José Trajano, o meio físico sofrerá com o intemperismo das rochas, o assoreamento dos rios provocará inundações e enchentes. Este último caso, Trajano não descarta para Capital.

 

O Engenheiro Florestal Dr. Eraldo Matricard fala que as mudanças climáticas podem comprometer o ciclo hidrológico, exemplo, diminuindo as chuvas: Na Amazônia as maiores partes do vapor da água que se transforma em chuvas provem da evapotranspiração das florestas, com o aquecimento da terra as florestas serão afetadas e estarão mais suscetíveis a incêndios florestais. Na Amazônia a perda da vegetação influenciará drasticamente na diminuição do volume pluvial. O desmatamento também tem participação nos eventos adversos, o desmate aumenta a velocidade dos ventos e oportuna ao surgimento de tempestades, completou Dr Eraldo. 

 

Matricard lembra da importância das florestas que têm o papel principal de proteger o solo evitando a erosão e o assoreamento dos rios, enchentes e até problemas na agricultura. “A floresta tropical funciona como uma “esponja” absorvendo água da chuva e promovendo o deslocamento da água sob a superfície. Sem as florestas a maior parte das águas da chuva escoa diretamente sobre a superfície, causando fortes processos erosivos e de perda de solos”.

 A Evidência mais atual de mudanças climáticas na nossa região aconteceu em Ji-Paraná, uma forte tempestade atingiu uma área aproximadamente de 2 km com rajada de até 98 km/h. A tormenta ocorreu porque o clima quente e seco se chocou com uma frente-fria vinda do Sul ocasionando num evento extraordinário.  Conferência

Em Rondônia o tema ganha visibilidade com a Terceira Conferência Estadual do Meio Ambiente a ser realizada nos dias 6 a 8 de dezembro e pretende contribuir para esta discussão, disseminar o conhecimento técnico-cientifico e político e identificar soluções para sua mitigação e adaptação.

A expansão econômica e a pressão provocada pelo aumento do consumo é um enorme desafio nas questões ambientais e sociais. É preciso discutir e propor soluções na perspectiva de uma sociedade sustentável que se adapte com os impactos das mudanças climáticas.

 

“O momento é de reafirmar a participação da sociedade. Discutir a questão ambiental dará outros direitos, direito, inclusive, a uma vida mais saudável. A conferência busca diretrizes unindo políticas sem prejudicar as comunidades locais” , disse Augustinho Pastore, Secretario da Sedam.

 

Precede a Conferência Regional as municipais com participação das cinqüenta e duas cidades do Estado, previsto para acontecer no máximo até fim de outubro.





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