-- Animais & Cia
-- Atualidades
-- Cidades
-- Ciências e Tecnologia
-- Coluna Social
-- Crônicas e Poesias
-- Educacao
-- Empresarial
-- Entretenimento
-- Esportes
-- História e Literatura
-- Humor
-- Informática
-- Internacional
-- Jovens
-- Justiça & Direito
-- Meio Ambiente
-- Pais e Filhos
-- Política
-- Religião Cristã
-- Religião Outras
-- Sexo
-- Terceira Idade
-- Turismo
-- Vida e Saúde
-- X Diversos
.

 
 

Você está em Turismo
 
Cléryston Medeiros

[ Cléryston Medeiros ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Historiador, Guia de Turismo Regional e Pós-graduando em Geopolítica e História. Tem experiência na área de turismo, com ênfase em Turismo Cultural e de Aventura.

 

Turismo e Inclusão Social

1. Contextualização.

Dentre as discussões que se encontram mais em voga no lócus turístico brasileiro, está a que se refere à inclusão de portadores de necessidades especiais neste setor. Mas, apesar do avanço nessas discussões, a situação deste relevante grupo social ainda não galgou grandes melhorias. E se esta é a conjuntura que podemos observar no âmbito nacional, o que constatamos na região do Seridó é um contexto de total descaso, principalmente por parte do poder público.

Historicamente, os deficientes físicos desta região vêm sofrendo a infindáveis anos com toda sorte de dificuldades e empecilhos. Dificuldades estas que, para as pessoas ditas “normais”, podem parecer obstáculos insignificantes, mas para os portadores de necessidades especiais se tornam barreiras intransponíveis. Um simples degrau, ou um cruzamento sem sinalização adequada podem significar risco de morte para estas pessoas. Nesse contexto, como poderemos receber turistas deste grupo social se a infra-estrutura básica de nossas cidades não atende adequadamente nem mesmo seus próprios cidadãos?

Acreditamos que os rumos pelos quais o turismo seridoense caminha podem nos direcionar a uma tendência inversa ao contexto nacional, ou mesmo internacional, o que nos leva a correr o risco - desnecessário, diga-se de passagem - de desenvolver um turismo excludente, ao menos no que se refere aos portadores de necessidades especiais. Mostra-se, assim, de vital importância a criação de uma infra-estrutura adequada que facilite o acesso aos locais públicos e em especial aos atrativos turísticos e demais localidades que façam parte do sistema turístico da região para o público em questão. Nesse sentido, o presente texto pretende lançar um novo olhar para um também novo e reconhecidamente fiel público, um importante grupo de turistas em potencial. Pretende enfim, e acima de tudo, denunciar a exclusão de todo um recorte social, o dos portadores de necessidades especiais, tendo um caráter nitidamente social.

2. Inclusão, Qualidade de vida e Turismo.

A idéia de inclusão se fundamenta em uma filosofia que reconhece e aceita a diversidade na vida em sociedade. Isso significa garantia de acesso de todos a todas as oportunidades, independentemente das peculiaridades da cada indivíduo ou grupo social (ARANHA, apud PALHARES, M; MARINS, S. 2002, p. 61)

A questão da inclusão social é uma discussão realizada em escala global onde se propõe a criação de um novo paradigma que, seguindo um caminho inverso aos que imperam em nossa sociedade, aponta para a “construção de um processo bilateral no qual as pessoas excluídas e a sociedade buscam, em parceria, efetivar a equiparação de oportunidades para todos” (PALHARES, M.; MARINS, Simone. 2002.). A este tema une-se outro tão importante quanto, o turismo sustentável, que é sinônimo de qualidade de vida na atual sociedade pós-moderna. Sabe-se que o sucesso do turismo em uma comunidade depende tanto do planejamento quanto da sustentabilidade e, de fato, este deve ser pautado no “planejado e gerido de modo a melhorar a qualidade de vida dos residentes” (MCINTYRE, G. p. 3). Como se vê, invariavelmente, o quesito qualidade de vida está presente no discurso dos estudiosos e pesquisadores que se propõem a discutir a questão do turismo sustentável, e isto não apenas no que se refere aos moradores das comunidades receptoras, mas também, e em grande medida, aos próprios turistas em potencial. Ocorre que, infelizmente, escapa a percepção da sociedade que uma parcela considerável destes turistas e também destes residentes receptores é formada por portadores de necessidades especiais, dos mais variados tipos, seja motora, auditiva ou visual.

Ora, quando pensamos em Turismo, principalmente nas comunidades que ainda não estão envolvidos com a atividade em questão, logo pensamos: “geração de emprego renda”, e isto tem, de fato, uma grande importância, mas não é a única nem muito menos a mais importante questão a ser pensada. Alguns até falam em “indústria turística”. Ora, sabemos que o turismo não é uma indústria, na medida que não se propõe a fazer transferências de bens e serviços, caracteristicamente produzidos atrás dos muros das empresas. Na verdade o turismo focaliza os próprios seres humanos que visitam uma localidade tendo em vista seus vários atrativos, viabilizando o encontro com outros seres humanos, que ali vivem. Nesse sentido, o foco principal do turismo deve ser o ser humano, e não unicamente a geração de emprego e renda.

Acreditamos que, direcionando nossos esforços as necessidades especiais dos seres humanos, possamos futuramente angariar maior número de turistas, visando uma demanda potencial. Sabemos que grande parte dos portadores de necessidades especiais preenchem as condições necessárias para a viagem ao nosso destino turístico, quais sejam: tempo, disponibilidade de renda, vontade de viajar, etc. Ocorre que, para que esta demanda potencial em especial sinta-se atraída por nosso destino, efetivando assim a visita, devemos eliminar alguns “fatores impeditivos” (dificuldade de acesso, deficiências nos serviços turísticos, etc), somente após esta atitude poderemos transformar esta demanda potencial em efetiva. Mas que tipo de atitudes devemos tomar para que consigamos efetivamente burlar estes fatores impeditivos? Inicialmente, utilizando uma sinalização turística adequada, de acordo com os padrões internacionais.

3. Recomendações.

Para encaminhar a criação de uma infra-estrutura adequada facilitando o acesso aos locais públicos e aos pontos turísticos do sistema turístico local por parte do nosso público alvo, acreditamos que o desenvolvimento de uma sinalização turístico/rodoviária adequada mostra-se de vital importância. Esta sinalização deve ser edificada em pontos estratégicos da cidade, tais como: rodoviária, com placas escritas com letras de boa visibilidade e em braile indicando transportes, banheiros, restaurantes, etc. Também devem ser disponibilizados balcões de informações em locais estratégicos, nos atrativos e nas emergências, com placas também escritas e em braile indicando seus caminhos. Recomendamos também a implementação de  placas indicando o nome de cada rua, saídas da cidade, sinais de transito sonoros, calçadas com texturas diversificadas, rampas de acesso, etc. Os transportes públicos também devem ser adaptados a cadeirantes e a demais tipos de “deficiências”. Mais uma vez enfatizamos que a sinalização deve ser adequada aos diversos tipos de necessidades especiais e melhorar o acesso de cadeirantes tanto aos pontos turísticos quanto ao comércio e a toda rede turística local.

As conclusões e questões abordadas no presente texto, por mais "utópicas" que possam aparentar, atingiriam os seguintes objetivos fundamentais:

I. Geral:

Proporcionar aos portadores de necessidades especiais a inclusão no turismo e no mercado turístico da região do Seridó, através do aperfeiçoamento da infra-estrutura local, utilizando a cidade de Caicó como piloto e estendendo, posteriormente, o projeto para as demais cidades do Pólo Turístico do Seridó.

II. Específicos.

• Promover cursos de conscientização e capacitação, relacionados à temática, direcionados aos diversos setores do sistema turístico local.
• Desenvolver sinalização adequada aos diversos tipos de necessidades especiais, como placas em braile, sinais sonoros, calçadas com texturas diversificadas, etc.
• Melhorar o acesso de cadeirantes tanto aos pontos turísticos quanto ao comércio e a toda rede turística local, de uma forma geral.
• Oferecer cursos diversos aos portadores de necessidades, residentes na própria localidade, de modo a proporcionar a inclusão destes no setor em questão.

4. Bibliografia.

PALHARES, M.; MARINS, Simone. (orgs). Escola Inclusiva. São Carlos. EDUSFCAR, 2002.
MCINTYRE, G. Manual de Municipalização do Turismo.





Você gostou deste artigo? Então compartilhe com seus amigos:

 
Facebook
Twitter: Google+

-------------------------------------------------------------------------------------------------------
s
s
------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O botão de comentário acima irá acionar o colunista para te postar uma resposta sobre o comentário. Ou, se preferir, comente usando seu perfil do Facebook:




:: Aruba, um pedaço do Caribe ( Turismo - Jorge Azevedo )

:: Fé, natureza, cultura e diversão em Santa Catarina ( Turismo - Vera Tabach )

:: Avião sai de Natal para São Paulo, mas faz pouso forçado por causa de briga de casal ( Turismo - Wallace Moura )

:: O Rio Grande do Norte ganha revista de Turismo e Cultura ( Turismo - Wallace Moura )

:: Empresário potiguar leva Brasileiros aos Estados Unidos ( Turismo - Wallace Moura )

:: Tucupi no Tacacá - ou a cultura nas viagens ( Turismo - Elisabeth Camilo )

:: Conhecendo a reserva dos índios Cherokkes, na Carolina do Norte, Estados Unidos. ( Turismo - Wallace Moura )

:: As caras e as cores de São Paulo ( Turismo - Fabiana Barros )

:: A Graça tem mesmo graça ( Turismo - Mauro Moura )

:: 20ª FENADOCE ( Turismo - Magali Cunha )

:: Europa está no Sul do Brasil ( Turismo - Luisa Lessa )

:: Aveiro: a Veneza de Portugal? ( Turismo - Patrícia Cozer )

:: Pelotas 200 anos, do sal ao açúcar ( Turismo - Magali Cunha )

:: Praia do Cassino ( Turismo - Magali Cunha )

:: A saga dos souvenirs ( Turismo - Patrícia Cozer )

:: As 7 novas maravilhas do mundo ( Turismo - Patrícia Cozer )

:: A Casa da Morte de Petrópolis e a dívida perante a história dessa cidade ( Turismo - Diego Grossi )

:: A Brasília dos brasileiros ( Turismo - Patrícia Cozer )

:: Tornando Curitiba mais quente ( Turismo - Patrícia Cozer )

:: Belém do Pará e as praias de rios ( Turismo - Elisabeth Camilo )
 
 
LiveZilla Live Chat Software

 


   



Site administrado pela

Biblioteca ||  Classificados
Sala de Bate Papo