A natureza a cada dia perde espaço em nome do crescimento na Zona Oeste. É comum surgirem grandes condomínios nas áreas verdes da região que, por ironia, são chamados de jardins ou bosques. Isso deve ser para amenizar a culpa daqueles que só pensam no progresso e no capitalismo e esquecem da preservação da vida.
A derrubada das árvores é um crime que o homem comete contra a sociedade sem pensar nas conseqüências que sofrerão as futuras gerações. E o pior é que as autoridades sabem que essas interferências afetam em grande parte as crianças. A saúde que deveria ser preservada antes terá que ser cuidada depois. Eles destroem a natureza para construir fábricas e matam o remédio que poderia salvar vidas.
Se fizermos um balanço da história da Zona Oeste vamos descobrir que o saldo vai dar negativo. Nós perdemos muito e o que ganhamos foi pouco. O bairro de Campo Grande que no século passado foi considerado um dos maiores produtores de laranjas do Brasil, hoje dificilmente abasteceria um supermercado.
O bairro de Guaratiba, conhecido pelo verde de sua mata e por suas belas praias já está com seus dias contados. Por ser próximo à Barra da Tijuca e com grande área desabitada tornou-se o “filé” do momento pelas construtoras cariocas. Este casamento das áreas verdes com as praias é uma tentação para os “gigolôs imobiliários” que sabem que ali a venda é garantida.
O desequilíbrio no ecossistema esta afetando os animais que por falta de opção estão invadindo as residências para um refúgio. Cães, gatos e canários estão sendo obrigados a conviverem com micos, gambás e até cobras. Os moradores acabam tendo que testemunhar essa relação pouco amigável e que provoca receio.
O problema é tão grave que nem mesmo os políticos resolvem e na maioria das vezes são eles os verdadeiros culpados. Há falta de fiscalização e grande quantidade de licenças liberadas para a construção dos futuros “bosques de tijolos” na Zona Oeste. Os governantes estão mais preocupados com as Secretarias de Obras do que com as de Meio Ambiente e nem percebem que a bomba acaba por estourar mesmo é na Secretaria de Saúde.