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Por que o brasileiro prefere remediar a prevenir?
No Brasil, habitat natural dos ímprobos, pratica-se menos Política do que politicagem. Aqui as providências tardam e, invariavelmente, falham. Estas duas características históricas - corrupção e burocracia - dificultam as pretensões do país em destacar-se no mercado global e conquistar novos patamares. Mais do que isso, produzem uma estagnação preocupante tanto para a Economia quanto para o desenvolvimento da nação. Essa relação entre causa e efeito pode ser melhor exemplificada através de dois posicionamentos distintos da ação governamental, que ganharam as páginas de jornal recentemente. O ano de 2007 marcou negativamente a aviação nacional. A crise nos aeroportos suscitou uma série de investigações e denúncias. O relator da CPI do Apagão Aéreo, Senador Demóstenes Torres (DEM-GO), ao final do processo, chegou à brilhante conclusão de que "é preciso melhorar a fiscalização e a infra-estrutura aeronáutica". Sendo assim, só faltou o nosso digníssimo parlamentar dizer a quem então devemos entregar o atestado de incompetência! Dadas as condições do aeroporto de Congonhas, o risco de acidentes era iminente. Quando a morosidade sucumbe a eficiência, os prejuízos fatalmente são irremediáveis. Em contrapartida, quando há um mínimo de organização e comprometimento, os bons resultados tendem a aparecer naturalmente. Prova disso é o sucesso que o Governo Federal alcançou em sua campanha pelo combate à AIDS. O gasto com este tipo de propaganda preventiva é praticamente insignificante se comparado ao investimento necessário para o tratamento das pessoas já infectadas pelo vírus. Trata-se, portanto, não apenas de uma questão econômica, mas também social. A conscientização de um esforço conjunto entre governo, povo e opinião pública é fundamental para o fortalecimento da cidadania e resgate da identidade nacional. Nas últimas décadas, verificamos uma certa indiferença popular que não condiz com o seu passado. Salvo por esporádicas manifestações, como o movimento pelas Diretas na década de 80, ou a pressão pelo impeachment do então presidente Collor, no início dos anos 90, o engajamento do povo brasileiro pós-Ditadura poucas vezes foi verificado. Essa passividade dissimulada transforma a sociedade em uma verdadeira massa de manobra, que abdica do direito de reivindicar e subestima a sua própria força. Isso pode ser explicado pela grande crise de auto-estima e de patriotismo que corrói o orgulho popular e desafia a democracia; flerta perigosamente com uma anarquia velada. Se é bem verdade que o povo, unido, jamais será vencido, esta é uma boa hora de o brasileiro mostrar que realmente não desiste nunca. Afinal, pior do que conviver com a censura, é ter o direito à liberdade de expressão e não fazer bom uso dela. |