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Sanderson Molick

[ Sanderson Molick ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Estudante de Filosofia.

 

A Geração dos Narcisos

O Narcisismo tem se tornado um apanágio da sociedade pós-moderna. Na mitologia Grega, o mito de Narciso (em grego Nárkissos, do radical nárke, palavra que deu origem a palavra narcótico) narra a história de um jovem possuidor de uma beleza excepcional. Na cultura Grega, tudo que excede os limites da média acaba se tornando assustador por poder arrastar o indivíduo para a hýbris, que para os Gregos é o descomedimento, muito distante do métron (equilíbrio). E, a ultrapassagem dos limites era permitida apenas aos Imortais, o que tornava a beleza de Narciso mal vista, já que desafiava a supremacia dos Deuses.

Narciso despeitava a cobiça que despertava nas ninfas e donzelas, preferia viver só, pois julgava não ter encontrado ninguém que merecesse seu amor. Um dia, enquanto caçava, Narciso encontrou uma bela ninfa chamada Eco, que havia sido amaldiçoada por Hera a não poder falar uma só palavra por sua iniciativa, a não ser repetir sempre as últimas palavras ditas pelos outros. Eco então se fascina com a beleza de Narciso e se apaixona. Narciso ao saber de seu problema, rejeita-a cruelmente. Eco, envergonhada, passa a viver nas cavernas evitando o contato com outros seres, onde, sem alimento, e de tanto sofrer, acaba morrendo. As ninfas, revoltadas com o que ocorrera, resolvem procurar Nêmesis, a Deus da Vingança. Esta, após ouvir as queixas, resolve condenar Narciso a ter um amor impossível.

Um dia, Narciso fatigado da caça, sentindo muito calor e sede, debruçou-se sobre uma fonte clara, de águas como prata, para banhar-se e viu uma bela figura que o olhava de dentro da água. "Com certeza é algum espírito das águas que habita esta fonte. E como é belo!", disse, admirando os olhos brilhantes, os cabelos anelados como os de Apolo, o rosto oval e o pescoço de marfim. Apaixonado pelo ser que de dentro da fonte retribui o seu olhar, baixa-se na fonte para beijá-lo, e enfia os braços dentro da fonte para abraçá-lo. Porém ao contato de seus braços com a água, o ser sumiu para voltar depois de alguns instantes, tão belo quanto antes.

"Porque me desprezas, bela criatura? E por que foges ao meu contato? Meu rosto não deve causar-te repulsa, pois as ninfas me amam, e tu mesmo não me olhas com indiferença. Quando sorrio, tu também sorris, e responde com acenos aos meus acenos. Mas quando estendo os braços, fazes o mesmo para então sumires ao meu contato". Então suas lágrimas caem na água, turvando a imagem. E, ao vê-la partir, Narciso exclamou: "Fica, peço-te, fica! Se não posso tocar-te, deixe-me pelo menos admirar-te." Assim Narciso fica por dias a admirar sua própria imagem na fonte, esquecido de alimento e de água, com seu corpo definhando, até morrer.

Com o Narcisismo de hoje, reconfigurado pela mídia, muitos têm se embriagado com a beleza do outro, e buscado ela para si. Ninguém nunca está satisfeito com o que é, e por isso investem fortunas em uma ‘re-esculturação’ do próprio corpo, com o intento de serem iguais as celebridades que vêem na mídia. Mas a beleza é uma dama daninha que nos faz perder a noção dos limites, sempre queremo-la mais e mais, e assim nos perdemos no labirinto de nossos desejos. Pois ela é efêmera, e o que queremos é eternizá-la, reviver cada instante de felicidade ante o espelho. Então mais dinheiro é investido na re-esculturação do corpo, seja investindo em anabolizantes, seja investido em lipoaspiração, silicone e etc.

Vemos também o Narcisismo tradicional, em que há uma auto-contemplação de si, uma admiração soberba do próprio self. Que tem dado origem a um orgulho exacerbado que gera conflitos entre negros, brancos, cristãos, judeus, muçulmanos, torcedor do Corinthians, do Flamengo, do São Paulo e etc.

Temos vivido em uma sociedade em que os valores mudam muito, a aparência hoje é a única coisa importante, ser "belo" é a única coisa necessária para sentir-se bem. Não importa se as crianças estão tendo uma má educação nas escolas e eu não tenho acesso a um serviço público de saúde de qualidade, não importa se milhões estão morrendo de fome, ou se o governo está roubando dinheiro público. O que importa é que estou gordo, meu nariz é grande e minhas orelhas um pouco abertas.

"Se não quisermos ser feitos tolos pelas nossas ilusões, devemos, pela análise cuidadosa de cada fascínio, extrair deles uma parte de nossa personalidade como uma quinta essência, e reconhecer lentamente que nos encontramos conosco mesmo repetidas vezes, em mil disfarces, no caminho da vida".

                                                                            Jung





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