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Nylton Batista

[ Nylton Batista ]
Redator de jornal há cerca de vinte anos. Também escreve contos, alguns dos quais publicados em antologias.

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Lirismo capenga

Em resposta ao interesse de visitar e melhor conhecer a Região dos Inconfidentes, em Minas Gerais, da qual Ouro Preto representa a porta de entrada, desde os tempos em que o turismo era pura aventura ou mobilização espontânea de pessoas com o único propósito de alargar horizontes visuais e aprender sobre os locais visitados, desenvolvem-se estudos em torno do tema, em paralelo com ações destinadas à consolidação do turismo como a indústria sem chaminés entre nós. Muito Ouro Preto já perdeu por falta de visão mais abrangente sobre o turismo, na melhor das hipóteses, encarado como simples presença de visitantes na cidade, porque há os que os vêem mais como invasores ou estranhos incômodos.

Não deixam de ter razão os que rejeitam, se encarado o turismo de massa, induzido por megaeventos barulhentos, geradores de pesados encargos e de conflitos de interesses entre setores econômicos locais, sem falar na antipatia provocada na população. Infelizmente esse tipo de turismo, alimentado por interesses estranhos aos objetivos preconizados pela cidade e indesejável por uma série de razões, tem sido o forte em pólos de turismo, entre os quais Ouro Preto. Pela grande visibilidade e incômodo produzidos, as avalanches humanas trazidas por megaeventos provocam o repúdio da população, que assim deixa de ver e considerar o verdadeiro turismo, educado, estudioso, silencioso, cooperativo e que traz retorno proporcional aos esforços do turismo receptivo, que só agora começa a se organizar. O turismo só se completa como atividade econômica quando à disposição do visitante corresponde a contrapartida, que é o turismo receptivo, gerando satisfação de ambos os lados. Museus e outros pontos turísticos abertos à visitação representam muito pouco diante do que o turista espera encontrar. Receptivo seria o lado passivo do turismo, mas passividade diante do visitante não condiz com as aspirações em torno dos resultados esperados. Cabe a ele organizar-se e organizar a estada do visitante, para que este se sinta atraído (e não traído) a permanecer por mais tempo no local. No caso específico de Ouro Preto, pouco ou nada se oferece ao turista fora do roteiro de visitação a igrejas e museus. Os eventos, em sua maioria, não têm a cara de Ouro Preto; não representam a cultura do povo local e só atraem bandos da "curtição". O resultado é que o verdadeiro turista chega, cumpre o roteiro de visitação e retorna, deixando o mínimo do que poderia deixar em pecúnia, ou o máximo via exploração de serviços isolados.

Reconheça-se, no momento, o esforço regional para organizar o setor, chegando a divulgação a um frenesi quase infantil, para compensar o atraso do receptivo na complementação do quadro turístico.

A revista INconfidentes cumpre o papel de entrelaçar os municípios desta região mineira na estruturação do turismo, mas há que ter cuidado para não bater de frente com a lógica e a História como se fez no primeiro número. A expressão “tão bela que antes mesmo de ser fundada os inconfidentes paravam para admirar”, em referência a cidade de Itabirito, perde a validade poética por colocar os “inconfidentes” em cenário anterior às suas vidas. A Conjuração Mineira (Inconfidência é sob o ponto de vista português) estourou em 1789, e as localidades mais antigas da região, entre as quais Itabirito, surgiram no final do século XVIII e primeiros anos do século XIX; o que torna impossível a presença dos futuros conjurados, mesmo bebês, na cena imaginada.

Ainda que dita à luz da doutrina reencarnacionista, a assertiva carece da explicação de sua natureza e não leva em conta que o lírico enleva o espírito, porém não deve contradizer a verdade.

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