Mais uma vez o sonho brasileiro de conseguir o ouro olímpico no futebol masculino foi adiado. A vergonhosa derrota para a Argentina, por 3x0, gerou muitas críticas ao técnico Dunga, acusado como o principal responsável pela derrota. Mas será que a culpa é toda dele?
O Brasil nunca deu muita atenção para as Olímpiadas. Um jogo do torneio não pára cidades brasileiras como uma partida de Copa do Mundo. Mas ainda assim, a exigência é que a seleção traga o ouro no peito.
A preparação nunca foi a ideal. Treinar por apenas 2 semanas é pouco para uma seleção cujos jogadores estão espalhados pelo mundo. Além disso, muitos treinos são mais parecidos com shows do que efetivamente um treino.
Atletas sem a mínima vontade de jogar. Há algum tempo a seleção brasileira, em todas as categorias, sofre com o "marasmo" dos jogadores. Uma culpa disso é a ida cada vez maior de jovens talentos para, principalmente, a Europa e a Ásia. Lá, o futebol padronizado, "esquemático", molda os jogadores brasileiros, que além de "esquecerem" como jogar, entram sem vontade em campo, afinal, qual é a vantagem de defender uma seleção que não te paga salário, não te dá apoio contra os clubes, e ainda obriga alguns atletas a participar de amistosos caça-níqueis contra seleções inexpressivas, nos quais somente quem ganha é a CBF.
A seleção é cada vez mais distante do Brasil. Dos jogadores convocados, a maioria atua no exterior. Quando são marcados amistosos, os jogos são em territórios estrangeiros. A química com a torcida vai diminuindo. Os torcedores já não têm mais um ídolo, um jogador a observar, pedir a atenção, carinho. Já não há mais relacionamento entre atletas e torcedores, há um espetáculo.
A administração é fraquíssima. Falta profissionalismo para realizar uma boa, ou pelo menos coerente, administração. Não há negociação com clubes. Os europeus não cedem jogadores, a CBF não negocia. Porém, os clubes brasileiros são obrigados a liberar seus jogadores, não importa o campeonato ou fase que esteja jogando. E os clubes não recebem nenhum benefício por isso. E para completar a "gestão", colocam um aprendiz de treinador para comandar a seleção. Nada contra o Dunga, mas colocar na frente da seleção alguém que NUNCA foi técnico nem de várzea é, no mínimo, falta de profissionalismo.
E que venham as eliminatórias para a Copa do Mundo. E preparem a fé e o coração...