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Pré - Conceitos
Preconceitos, paradigmas ou outra denominação que seja, são na verdade o conjunto de valores que assimilamos ao longo de nossa vida. Quando nos deparamos com algo novo, imediatamente comparamos com nosso conhecimento adquirido, se for algo na mesma linha do que já comungamos não haverá rejeição, caso contrário exortamos tal experiência. Somos ensinados a não fumar, temos portanto um paradigma ou pré – conceito de que fumar não é uma coisa boa ou certa (depende de quem ensina!). Ao longo de nossa vida ouvimos sempre dizer que preconceito é ruim, preconceito é algo que deve ser combatido. Digo-vos que preconceito é bom ou ruim, depende com o que sejamos preconceituosos. Sou preconceituoso com roubo, com discriminação, com o conceito de tudo por dinheiro (não estou falando do programa do Silvio Santos). O Brasil possui uma População preconceituosa, nos dois sentidos, vemos pessoas que não se conformam com roubo, mas também vemos pessoas que se projetam socialmente exatamente por conta dos roubos; bons ou maus são sempre preconceitos. Ao nascermos, nada sabemos ou pretendemos, à medida que começamos a conviver com os primeiros seres, normalmente os parentes mais próximos, começamos a assimilar seus conceitos; “não” ou “não pode” costumam ser as primeiras palavras que uma criança ouve (e os pais querem que a primeira palavra dita pela criança seja Papai ou Mamãe), e os bloqueios começam, ao invés de darem opções para a criança, distraindo sua atenção para outra coisa que queiramos que a criança mexa ou brinque. Ao começarmos a andar, as preocupações dos pais aumentam, criança é movida a “DURACELL”, e normalmente os pais não costumam ter aquela disposição que o “pestinha” tem, aí começa a fase com as frases dos medos tipo “velho do saco vai te pegar”, “vou te levar para tomar injeção”. Deus do céu, não imaginam os pais como isso traumatiza os futuros cidadãos do mundo, as crianças desenvolvem, no mínimo, insegurança e/ou medo de velhos com sacos e injeção, para uma criança tudo tem sentido superlativo, um simples muro do quintal pode ser visto por uma criança como uma montanha intransponível (alguma vez assistiram o desenho “O estranho mundo de Bob?”). Cito somente os medos clássicos, mas como a mente humana é sabidamente fantástica, tentem imaginar o que mais não deve haver por aí. A pior parte é que estas crianças crescerão e tomarão seu lugar na sociedade, imaginem a responsabilidade nossa para com estas crianças e para com a própria sociedade, com os conceitos que introduzimos nas crianças, que ao crescerem, serão estas crianças a força de trabalho, nossos tutores, nossos governantes (nas tribos indígenas as crianças costumam ser tratadas como filhos da tribo e não filhos desta ou daquela índia, todos alimentam, protegem, ensinam os rebentos porque há uma consciência coletiva de que estas crianças crescerão e serão o futuro da tribo, por isto todos fazem o máximo por ensiná-las e educá-las com o que tem de melhor – e a raça branca ainda diz que os indígenas são atrasados). Preconceito é preconceito, bom ou ruim, estes ficam guardados em nossas mentes e geralmente nos conduzem a atitudes ou sonhos na fase adulta. Os pais ou os parentes próximos são os maiores responsáveis pelo desabrochar do ADULTO DE BEM ou adulto não tão de bem, pensemos quanto nós trazemos de nossos pais ou daqueles que nos acompanharam em nossa infância, observemos quantas palavras nossas são ecos daqueles que nos educaram, quantas atitudes são cópias autênticas. Diante destas observações, caso tenham fundamento, passemos a ter mais cuidado com o que falamos/ensinamos aos que estão sob nossa responsabilidade, tenhamos mais cuidado com o que exemplificamos, sabemos que um gesto fala mais que mil palavras, que o “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” está ultrapassado, nossas crianças são muito mais espertas que as de 40, 50 anos atrás; sou desta época e lembro-me de comentários que as crianças nasciam de olhos fechados e passavam até 24 horas para abri-los, hoje se duvidar já pedem o e-mail ou o celular dos (as) enfermeiros (as) e médicos (as) ao nascerem, para curtir uma RAVE ou trocar umas idéias num BLOG (ufa, pelo menos é só isso!). Atentemos que os tempos são outros, tudo ou quase tudo mudou, e a maioria de nós continuou parado, não há aqui incitação à derrocada das convenções sociais, muito pelo contrário, há um convite para re-estabelecermos novas condutas para que estas fiquem atualizadas com os novos tempos, o passado é o passado, o presente é agora e o futuro a Deus pertence, mas nós somos os detentores das diretrizes que irão fazer o futuro, Deus nos facultou isso quando nos dotou do Livre Arbítrio. Podemos ficar parados e assistir a continuidade da degradação da nossa sociedade ou arregaçar as mangas e lutar por dias melhores, reconhecendo que os conceitos, preconceitos, paradigmas, são pertencentes à determinada época, que com a evolução do conhecimento estes DEVEM ser revistos, evoluir é uma necessidade! Raul Seixas em uma de suas músicas preconizava esta máxima: “Prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo!” (recentemente o Presidente Lula citou esta frase); afirmo-vos que é preciso ter coragem de querer evoluir, assumir que seus antigos conceitos, que agora são preconceitos, podem estar ou que estão errados (isto para os que nos rodeiam pode parecer falta de personalidade, Maria vai com as outras, etc), pois “O tempo não pára!” – Menção honrosa ao poeta Cazuza. Já observaram que para praticamente tudo que vamos fazer em nossa vida somos encaminhados a estudar? Quando vamos entrar no mercado de trabalho precisamos saber fazer algo que justifique o salário que iremos receber (aquela malfadada EXPERIÊNCIA que quem está começando ainda não possui), mas normalmente só existe ensino para ganhar dinheiro. Alguém já freqüentou um curso de como ensinar/educar filhos? Caso exista, quantas pessoas já o fizeram? Quanto custa? Para que serve acabamos de saber, MAS FILHO NÃO DÁ DINHEIRO, SÓ DESPESA! Esta afirmação infeliz tem deixado à margem da sociedade milhares de crianças que crescem sem estrutura familiar e sem conhecer as regras da sociedade que irão pertencer, depois reclamamos quando estas crianças crescem e comportam-se de forma anti-social. Como cobrar comportamento social de quem sequer sabe que pertence a uma sociedade? Nascem relegados à miséria moral (sem estudo, sem alimentação, sem acompanhamento médico, sem cuidados ou atenção da sociedade na qual nasceram) a pior das misérias, aquela que tem a propriedade de transformar o ser humano em qualquer coisa, menos gente! Isto não é responsabilidade exclusiva dos governantes, toda a sociedade tem o dever de cobrar estas ações e o direito que elas sejam executadas (governantes só existem porque existe uma sociedade, sem sociedade estes perdem a razão de existir), estas cobranças devem ser feitas dentro do processo democrático e de direito que vivemos. Fechamentos de ruas sem autorização do poder público, quebra-quebra, qualquer manifestação que violente o direito dos demais membros da sociedade devem ser vistos como mais uma agressão à democracia; se queremos liberdade devemos dar liberdade, mas principalmente COBRAR liberdade, pois que no atual estágio de nossa sociedade é um artigo de luxo e caríssimo e a maioria das pessoas querem liberdade, mas não a querem dar. Diante de tudo que foi abordado aqui, caso tenha chamado a atenção de alguns de vocês, atentem e combatam em si os pré-conceitos, os pré-julgamentos e da próxima vez que virem uma criança pensem que pode estar ali o próximo Presidente do Brasil, mesmo que esta criança tenha nascido pobre e lá no interior de Pernambuco, lembrem-se O FUTURO A DEUS PERTENCE! |