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Nylton Batista

[ Nylton Batista ]
Redator de jornal há cerca de vinte anos. Também escreve contos, alguns dos quais publicados em antologias.

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Um sopro feliz na educação

Dois meses após a promulgação da lei de tolerância zero ao álcool, em relação a condutor de veículo automotor no exercício da atividade, verifica-se que algo mudou, para melhor, contabilizando-se menos acidentes de trânsito. Lamenta-se que o número de ocorrências tenha caído somente em razão da severidade da lei, ao atingir o bolso com multas mais pesadas, além da perda da CNH e prisão nos casos mais graves. Configura-se então inversão de valores entre vida plena e posses materiais. Contudo, antes assim do que a continuidade da escalada das tragédias, das quais resultam deficiências físicas, mortes e muito sofrimento a transcender o das vítimas diretas. Muitas vezes é necessária a varada para que o ser humano aprenda a lição; para que compreenda que nada compensa a morte ou a inutilidade física, mas o sacrifício do prazer e vaidades pode resultar em mais vida!

Enquanto se comemoram os primeiros sessenta dias com menores índices de acidentes de trânsito, vem a lei da obrigatoriedade do ensino da música nas escolas. Se a lei contra o álcool ao volante ensina pela pancada, causando efeitos benéficos imediatos, a música ajuda na educação e formação, por despertar no indivíduo o que de melhor ele pode ter para superar e dominar o lado negativo. Não provoca efeitos imediatos, mas pode corrigir rumos e tendências em proveito de melhor equilíbrio nas relações humanas das futuras gerações, com redução significativa dos índices de violência.

Para alguns pode parecer paradoxal falar da música como fator educativo contra a violência, quando se ouvem opiniões aqui e ali a focá-la como causa de violência. Na verdade, o que essas pessoas qualificam como música não passa de ruído ou cacofonia das mais irritantes. É esse tipo de manifestação que induz à violência, sobretudo por meios eletrônicos a altíssimos decibéis, ressaltando-se que em alto volume a melhor das músicas irrita também. Logo, não é a música que causa violência e, sim, seu alto volume.

Registre-se a feliz coincidência da assinatura da lei pelo presidente da República na mesma semana da realização do I Seminário de Música do Museu da Inconfidência, sob o tema “Bandas de música no Brasil”. Pela primeira vez, esta região, onde se concentram o maior número e as mais antigas, no estado que as lidera em quantidade no cenário nacional, as bandas foram alvo de debate sério por autoridades e estudiosos da área. Um dos palestrantes lembrou que as bandas poderão em muito contribuir no ensino da música nas escolas, uma vez que a licenciatura tem preferência, mas não é obrigatória para a nova matéria, em decorrência do número insuficiente de titulados. Quem ensina nas bandas poderá ser chamado a ensinar nas escolas regulares, desde que provada sua capacidade. Se as bandas são capazes de formar instrumentistas que, mais tarde, ingressam em bandas militares e em grandes orquestras, seus mestres estão preparados para ensinar a música nas escolas. As escolas têm três anos para a adaptação e se espera que levem o assunto a sério e não induzidas ao mesmo erro de organizações que formam grupos de tambor e lata e dizem estar a ensinar música.

Aí seria oficializar a cultura do “tan-tan”, fenômeno responsável pela adição do ritmista à lista das “espécies em extinção”, na área artística. A prosaica valsa é massacrada por percussionistas que, de ritmistas, nada têm! E nem o samba, ritmo brasileiro por excelência, escapa à fúria do “tan-tan” desordenado, contando com mãozinha – ironia das ironias –das escolas de samba cariocas que, a cada ano, mais sacrifica suas características rítmicas em favor do espetáculo visual produzido para turistas.

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