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Esqueçam o Autor

[ Esqueçam o Autor ]
O Esqueçam o Autor! não tem gostos pessoais, surgiu da inconformação de ver pessoas honestas, justas, com senso de coletividade sendo perseguidas ou tratadas como se fossem ultrapassadas

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Forças Armadas II

Pouco tempo atrás ouvimos algumas declarações do Ministro da Defesa Nelson Jobim que nos deixaram entusiasmados com as perspectivas de dias melhores e preocupados com os caminhos que poderão ser tomados. Duas declarações em particular vamos aqui comentar, a primeira quando ele disse: “Precisamos rever as atribuições das Forças Armadas para que possam combater o crime”. Nestas palavras podem estar contidas várias interpretações, podia ele referir-se ao tráfico de drogas nos morros cariocas, e numa visão mais dilatada usar as Forças Armadas saneadas e moralizadas para cooperar com a Polícia Federal, Ministério Público e outras Instituições para uma grande operação de limpeza que este País precisa (esta não é uma afirmação nossa, várias autoridades brasileiras já declararam publicamente que o crime organizado já se infiltrou no poder público deste país, e isto não é exclusividade brasileira, na Itália este filme já passou e continua em cartaz, demonstrando que o combate ao crime organizado deve ser implacável e constante como os controles de pragas praticados nos galpões de armazenamento dos produtos agrícolas). Por trás destas declarações do ministro há sim uma grande preocupação caso ele pretenda usar as Forças Armadas como agentes de combate ao crime, lembraremos aqui uma frase que diz assim: “Não desperte os fantasmas, pois você pode se assustar com eles!”. Vivemos hoje numa democracia concreta, uma das mais significativas do mundo, mas dentro das fardas existem seres humanos, e nós sabemos que seres humanos são falhos, sabemos também que o poder fascina, enlouquece, e no atual estágio da humanidade o que predomina sempre é a força, daí a preocupação. Na cultura brasileira é muito forte ainda a intolerância, associamos tolerância a fraqueza, falta de pulso firme, quem nos garante que os militares ao se depararem com os longos processos de negociação que fazem parte destas grandes mudanças que nosso País precisa promover, os militares não queiram operar a “toque de caixa” as ações que estarão sendo convidados a participar. Lembrem-se que serão a maior força envolvida no possível processo e ninguém ou nada neste País poderá freá-los.
           As palavras do Ministro deram margem para especulações, mas para que os militares sirvam de referência, policiando e fazendo cumprir a Constituição Brasileira é necessário muito, mas muito trabalho interno nesta Instituição, são hoje sequer sombra do que foram os militares dos anos 60 que assumiram o País, havia naqueles patriotismo, o amor pelo país corria nas veias daqueles senhores, tanto amor que se comportavam como quase cegos que viam conspiração, “COMUNISMO” em qualquer ação de qualquer cidadão que julgassem estar em desacordo com a ordem social que eles conheciam, vários personagens de nossa história, alguns ainda vivos, sofreram as ações daqueles militares, se perguntarmos a algum destes personagens todos lembrarão da truculência nas ações do início da ditadura, poderão até mostrar ainda marcas dos anos de chumbo, mas poucos poderão dizer que não havia naqueles senhores o sentimento pátrio de salvar o Brasil. A grande maioria dos militares de hoje perderam o vínculo com a Pátria, após o término da ditadura foram eles responsabilizados por todos os males praticados contra a população deste País (como foram praticamente excluídos da sociedade, excluíram-se também como Instituição no que se refere a manterem-se vivos no imaginário da sociedade e gradativamente foram eximidos e se eximindo do seu dever constitucional, foram esquecidos e se esqueceram de se fazer lembrados), assumiram o ÔNUS, e os idealizadores do golpe de 64, aqueles que os encorajaram e que depois usufruíram dos tempos da ditadura militar, alguns passaram para a história como homens de bem, fizeram fortunas, conquistaram poder em suas regiões criando dinastias e no âmbito nacional ocuparam cargos de grande expressão (não pretendemos dizer que os militares não tiveram culpa ou entraram de laranja, mas a classe social que mais perdeu com a conhecida DITADURA MILITAR, foram os militares).

Os militares deixaram o poder em 1986, e de lá para cá foram marginalizados, tiveram seus soldos achatados (hoje ganham menos da metade do que ganhavam em 1986), sofreram e ainda sofrem represálias, pois como disse Cazuza, “Meus (Seus) inimigos estão no poder...” e o que falta para este segmento da nossa sociedade é realmente IDEOLOGIA. Sabemos que o Ministro da Defesa Nelson Jobim é um homem experiente, escolado no exercício da vida pública, mas suas informações provêm da cúpula, dos comandantes, caso o Senhor Ministro tenha alguma idéia de usar esta Instituição para algo parecido, saiba que terá realmente muito trabalho para reunir os integrantes (há uma enorme diferença entre o que os comandantes militares falam e o que realmente é), há dentro dos quartéis extrema desunião entre praças e oficiais, querem os comandantes fazer crer que possuem o comando da tropa, mas a insatisfação dentro dos quartéis é constante e calada, predomina na maioria dos quartéis as máximas “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço!” e “Manda quem pode, obedece quem tem juízo!”; a disciplina militar dos tempos atuais é opressora e demagoga, em nome da castradora hierarquia militar, comumente vemos posições invertidas, onde quem sabe não manda e quem manda não sabe (no meio da tropa existem inúmeros praças e oficiais intermediários com grande formação escolar em áreas variadas, mas como não são SUPERIORES HIERÁRQUICOS, seus conhecimentos costumam ser desprezados, causando uma enorme insatisfação e desmotivação para estes militares que “OUSARAM crescer além do que a Instituição os paga para fazerem”); observem que quase todos os segmentos sociais lançam representantes para cargos públicos, reparem que as Forças Armadas praticamente não têm representante em qualquer das três esferas do poder, acreditamos ser devido à desunião e desconfiança reinante nas casernas, além de os militares atuais terem pouco compromisso com a Instituição e boa parte deles estarem totalmente envolvidos com os grupos sociais, os membros da sociedade onde vivem.

A segunda declaração do Ministro foi: “A Lei da Anistia não muda!”.
“Toda tortura é caracterizada como crime contra a humanidade, e como tal não prescreve!”, esta máxima está amparada/regulamentada por tratados internacionais, deixar de cumprir tais convenções, deixa o Brasil em desacordo com os demais países que elaboraram e assinaram tais tratados. Ministro Nelson Jobim se a Vossa intenção é moralizar o País usando esta Instituição – Forças Armadas, necessário é que algumas cabeças rolem para que a sociedade brasileira tenha a certeza que o processo começou cortando na carne (mesmo que seja somente o reconhecimento da prática de tortura por parte dos militares brasileiros, como o recente caso do coronel torturador do regime militar brasileiro), isto daria mais credibilidade ao processo de saneamento social, que será um choque para esta sociedade viciada em fazer o que bem entende, sem se preocupar com as convenções previstas na Carta Magna. Além disso, Senhor Ministro, os que se posicionarão contra tal iniciativa lançarão mão desta lacuna para desacreditar a Instituição Forças Armadas e todo o processo de colocar o país dentro da lei e da ordem.

As perguntas que não querem calar são as seguintes: Quanto custaria aos cofres públicos treinar todo o efetivo das Forças Armadas para fazer tal tarefa? Quanto custaria aos cofres públicos os erros cometidos pelos militares na execução de tarefas para as quais já demonstraram não saber executarem? Não seria melhor usar uma parte da Instituição para treinar futuros profissionais para o serviço de policiamento, como fazem os cursos preparatórios de vestibular? Dentro das forças Armadas já existem escolas de formação que facultam o acesso direto para as carreiras militares como o Colégio Naval, Epcex - Escola Preparatória de Cadetes do Exército e a Epcar - Escola Preparatória de Cadetes da Aeronáutica que dão acesso a Escola Naval, AMAN - Academia das Agulhas Negras e AFA - Academia da Força Aérea; poderia ser criada uma Academia de Combate ao Crime Organizado em parceria com as Polícias Civis, Militares e Federais, Ministério Público, etc, onde ingressariam militares de carreira (praças e oficiais) que se especializariam nesta função, mas o grosso da tropa continuaria confinado nos quartéis aguardando uma possível guerra que queira Deus nunca surja (para isto as Forças Armadas foram criadas, quase todos os Países pagam caro pela postura inferior dos seres humanos que só respeita aquilo que tem medo, em nível de Nações também é assim, exemplo recente foi a invasão do Afeganistão e Iraque, alguém acha que os EUA teriam invadido Afeganistão e Iraque se aqueles Países tivessem a bomba atômica?).

Tudo isto são especulações, sugestões mesmo, mas se este texto der em nada, temos a certeza que as coisas estão mudando e para melhor, o caos aparente é exatamente devido à ação ostensiva de policiar, vigiar, tomar conta, que torna transparente algumas ações de representantes do poder público, tenham a certeza que todo este mau uso da coisa pública - desvio de verbas, superfaturamentos, abuso de poder, todo isto que hoje vemos já acontecia muito antes de termos nascido, a diferença é que havia pouca cobrança e muito menos punição; agora não, a partir do governo de Fernando Henrique Cardoso até os dias atuais de Luís Inácio Lula da Silva, estamos perto de afirmar que transgressor é transgressor seja ele de que classe social for. Observem as ações da Polícia Federal nos últimos 15 anos, quem poderia imaginar 20 anos atrás que um rico ou poderoso envolvido com irregularidades pudesse ser molestado pelo Poder Público? Ainda é muito pouco, mas as coisas só ficarão boas se a sociedade entrar no jogo do poder fazendo sua parte: Cobrando, dentro da lei como manda a Constituição Brasileira, neste ínterim cabe aos órgãos de divulgação, a mídia ajudar nesta fiscalização da coisa pública e também disciplinar seus profissionais para que não ajam com imprudência como os jornalistas que entrevistaram o seqüestrador de Santo André (um ato impensado que visava tão somente audiência sem a preocupação se poria a perder todo um trabalho dos negociadores policiais, estes não profissionais da mídia podem ter colaborado para o trágico desfecho do episódio). Infelizmente, a mídia no Brasil (o quarto poder) ainda não se conscientizou de sua responsabilidade, sabemos que são empresas que visam lucro, mas devido a sua grande influência nas massas, deveriam pautar suas ações na ética, no bem social, deixando de focar na audiência e no DINHEIRO E PODER ou FAMA E FORTUNA que esta audiência traz. Para começar poderiam no mínimo advertir publicamente aqueles não profissionais por atrapalhar o serviço do Poder Público. Como sabemos que de livre e espontânea vontade isto não acontecerá, a justiça poderia responsabilizar a (s) empresa (s) que veiculou (aram) a entrevista por parte dos danos causados às duas meninas. Pode parecer arbitrariedade nossa, mas este poderia ser o começo da responsabilidade do profissional de mídia, afinal arbitrariedade foi o que fizeram o seqüestrador e os não profissionais da mídia que o entrevistaram.

Como dizíamos, ainda é muito pouco, mas já é um começo, dias melhores virão com certeza, tenhamos a certeza que só colheremos aquilo que plantarmos e até agora temos plantado muita indiferença com nosso País, tenhamos a certeza também que tudo isto é previsível numa vida em sociedade, a preocupação do Ministro em combater o crime é visível e louvável (nenhum homem ou mulher de bem consegue conviver pacificamente nos dias atuais), o questionável é o caminho a ser tomado. Até que consigamos REIMPLANTAR os saudosos dias melhores, citaremos um trecho de uma das músicas de Lulu Santos: “Assim caminha a humanidade, com passo de formiga...”

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