E quando tudo parece perder o sentido e as coisas vão na direção de um precipício sem igual. Quando tudo que se dizia certo se torna errado e o errado já não tem limites, ainda sim há alguns poucos que tentam fazer a diferença em meio tanta ignorância e alienação.
É o caso do grupo de teatro Ria, que há anos vêm desenvolvendo um belíssimo trabalho com muita garra, força e determinação a fim de popularizar o teatro principalmente entre os jovens, que estão cada vez mais alheios às urgências a sua volta, e cada tempo menos engajado em questões culturais.
Com uma irreverência sem igual, cativam, emocionam e levam seu expectador ao êxtase com belíssimas encenações de cunho literário fortíssimo, levando uma grande parcela dos jovens um pouco mais de cultura, já que na atual circunstancia em que vivemos está cada vez mais raro encontrar adolescentes que tenham gosto pela leitura apurado.
Sem qualquer tipo de patrocínio e ajuda monetária, ou seja, se mantendo unicamente de suas rendas da bilheteria, o grupo apresenta vários espetáculos (literalmente), entre eles alguns que são de leitura obrigatória em alguns dos melhores e mais concorridos vestibulares públicos. E mesmo com preços bem acessíveis e por conta, desempenham belissimamente seu trabalho, com muito profissionalismo, dinamismo e emoção.
Em meio a seu acervo de obras primas estão: De Machado de Assis: DOM CASMURRO e MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS; De Eça de Queiroz: A CIDADE E AS SERRAS; De Gil Vicente: O AUTO DA BARCA DO INFERNO; De Guimarães Rosa: SAGARANA; De Manuel Antonio de Almeida: MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS; De Carlos Drummond de Andrade: A ROSA DO POVO; De Fernando Pessoa: CAEIRO EM PESSOA.
Em base geral apresentam-se para escolas e cursinhos, mas estão com as portas do Teatro Lucas Pardo Filho que se situa na Rua Gravataí, 47 abertas a quem quer se seja apreciador de boa distração e cultura, e estão a fim de apreciar bons momentos de envolventes espetáculos e dar um pause a vida estressante e perturbadora que passa lá fora.
E aos que não são apreciadores, aqui está também um convite, vá e conheça-os, sem compromisso algum, com a mente aberta, sem receios, preconceitos ou expectativas, e seja muito bem vindo ao encantador e mágico mundo do teatro.