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Você está em História e Literatura

Flávio Mello

[ Flávio Mello ]
Escritor, Palestrante, Professor e Editor.

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fonte

O homem e seu conhecimento de mundo.

Resenha
(Breve estudo sobre o conhecimento)

“Tantum possumus quantum scimus”
A medida do nosso poder é o nosso conhecimento.

Bacon


...

O homem sempre se assombrou ao desvendar a si próprio e ao descobrir o mundo que o cerca, de maneira direta ou indireta, como ao descobrir o fogo, tê-lo como meio de defesa ou de conforto, ou ao se deparar com as sombras nos interiores das cavernas e, admirar assim, as imagens advindas da exterioridade, pode-se ver em suas marcas, como na arte rupestre, deixadas em cavernas em diferentes pontos do mundo, a “evolução” de uma linguagem e de um poder intelectual que foi se superando na medida em que adquiriam mais experiência e conhecimento de mundo.

O filósofo inglês John Locke[1], considerado o pai do empirismo, com sua postura claramente racionalista, afirma: que o “conhecimento verdadeiro” e assim, universalmente válido, é aquele que abrolha a partir da percepção pelos sentidos. De tal modo, para essa corrente filosofia, quando o homem nasce sua mente é vazia de qualquer conhecimento, e é através dos sentidos e de sua percepção de mundo que vai adquirindo e enriquecendo seu conhecimento. Ao mudar o statu quo, essa idéia é apenas uma forma de ilustrar a evolução da mentalidade humana. Sabemos, que ao nascer já adquirimos fatores sensoriais, e tais fatores contribuem aos primeiro entendimento do mundo ao qual faremos parte.

O homem ao se deparar com a natureza percebe sua grandeza, e assim, o quanto pode desfrutar-se dela, no primeiro momento ele é submisso a essa grandeza tida como “absoluta” e o tempo e a experimentação lhe dão o domínio dessa força, e é nesse momento que o homem toma o controle das coisas, e passa a exercer sua postura de “ser superior”.

O homem então conhece Deus, ou como disse Ferreira Gullar o homem cria sua maior invenção o Deus, e é sobre ele que desenvolve seu conhecimento, voltando a ter a submissão, da natureza ao Ser supremo, pois uma das fraquezas humanas é o vazio existencial, neste momento a preocupação central do homem, isso na Idade Média, é estabilizar ou harmonizar a Razão e a Fé, neste período a filosofia passa a ser uma serva da teologia, pois a Igreja sofre com as diferentes culturas e visões de mundo que surgem com os domínios da igreja: muçulmanos e as invasões Bárbaras. Por isso, no momento em que a Filosofia começa a afirmar sua autonomia, ela é considerada uma ameaça à fé por apresentar interpretações alternativas da realidade (GILES, Introdução à Filosofia, 54) e deve ser contida.

De qualquer maneira o homem necessita da Luz, luz essa que pode ser advinda da chama de uma tocha, com o fogo provido por um raio em uma tempestade, ou a luz divina, luz da revelação, sendo assim, tais conhecimentos sempre terão suas bases na dependência de um “ser superior” ou de uma “força” que vá preencher suas necessidades, ou por ironia a sua Tabula Rasa.

Podemos perceber que as bases desses conceitos sempre foram o senso comum, ou aquilo que adquiro com o fator sensorial, não havendo assim espaço para a critica, mas apenas o encontro com a trilogia Fé-Medo-Esperança. O homem necessita fazer-se ouvir, busca desenvolver suas teorias e técnicas e com base em seus estudos e pesquisas provar o que supões da existência, isso margeado pelo mundo, pela fé e pela ciência, com o conhecimento cientifico busca embasamento para provar o que pensa. Esse conhecimento vai ultrapassar o método empírico, se desenvolve além dos prodígios, suas causas e suas leis. Aristóteles[2], afirma que o conhecimento só se dá de maneira absoluta quando sabemos qual a causa que produziu o fenômeno e o motivo, assim o homem passa a pesquisar, experimentar e desenvolver teorias que provem um determinado objeto de estudo, não se firma em hipóteses para isso, mas sim na certeza advinda do estudo e da pesquisa.

NOTAS

[1] John LOCKE (1632 – 1704): Nasceu em Wrington, Inglaterra. Estudou em Oxford e formou-se em Medicina. Foi perseguido pelos Stuarts e exilou-se primeiro na França, onde pôde conhecer as reflexões de Descartes, e depois na Holanda. Por volta de 1671 costumava discutir sobre os princípios da moral e sobre os fundamentos da religião revelada. Insatisfeito com todas as respostas resolveu estudar “o mecanismo da nossa mente, suas capacidades, seus limites”, isto é, como a nossa mente é capaz de chegar ao conhecimento, como forma as idéias. Entre suas obras são citadas: Ensaio sobre o entendimento humano, Tratado do Governo Civil e Cartas sobre a tolerância. O estudo do seu pensamento enfatiza a questão do conhecimento e a questão do governo.

[2] ARISTÓTELES (384-322): Filho de um médico da corte da Macedônia, Aristóteles nasceu em Estagira[2], pequena cidade da Trácia (Macedônia)[2], ao norte da Grécia. Estudou em Atenas, onde foi discípulo de Platão na Academia. Tornou-se educador de Alexandre Magno, filho de Filipe, rei da Macedônia.

BIBLIOGRAFIA

GILES, Thomas Ransom, Introdução À Filosofia. Editora: Edusp, 1979

HUISMAN, D. e VERGEZ, A. – História dos Filósofos ilustrada pelos textos. 5ª edição. Rio: Liv. Freitas Bastos, 1982

SAVIANI, D – Educação: do senso comum à consciência filosófica. S. Paulo: Cortez

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