E o Gabeira não ganhou! Contrariando as expectativas de boa parte da população carioca, o candidato do PV acabou saindo derrotado. E, ao contrário do que muita gente pensa, perdeu não para o Eduardo Paes, mas sim para o seu próprio eleitorado. Para os 20% que preferiram viajar a exercer seu direito de voto, e que certamente seriam decisivos para alterar o resultado dessas eleições.
O Rio viveu uma espécie de Gabeiramania. Tornou-se cool gostar do Gabeira, ser fã do seu jeitão paz-e-amor-com-algumas-pitadas-de-gandhi, uma figura simpática na forma de se expressar e de agir. A galera mais jovem criou uma espécie de identificação com este senhor de idéias um tanto inovadoras, tão diferentes da mesmice e pasmaceira que exalava do outro lado. Gabeira virou fenômeno pop de uma hora para outra, passou de boca em boca como um sopro de esperança de renovação - e por que não, revolução? - e veio numa crescente arrebatadora desde o final do 1° turno, quando surpreendeu muita gente ao desbancar o candidato universal do reino de Deus.
Como seria o prefeito Gabeira? Não saberemos. Provavelmente ele não resolveria todos os problemas da Cidade Maravilhosa, não acabaria com a violência, com a poluição, com a carência nos transportes, com o caos na Saúde. Não que ele não quisesse fazê-lo, mas é que as coisas estão tão complicadas no purgatório da beleza e do caos que nem mesmo uma legião de Gabeiras poderia resolver. Mas pelo menos um indício de que as coisas haveriam de melhorar nós teríamos.
Andando pelas ruas, sinto uma certa decepção geral pela derrota - tão apertada, meu Deus! - de Gabeira. Principalmente porque parece predominar um sentimento de culpa. Afinal, não foi o adversário que ganhou. Foi o candidato da maioria que perdeu. E perdeu justamente porque o povo resolveu se comportar... como povo. E agora não adianta chorar o leite derramado. Nos próximos quatro anos, o Rio terá Paes...