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Influenza influencia
A moça que trabalha como diarista em minha casa, assim que chegou na cozinha, viu-me preparando uma costela suína. Horrorizada, submeteu-me a um inquérito quase que policial tentando afastar-me daquele prato colossal, bem à moda mineira, a ser servido com angu, arroz, feijão e couve. Tive que esperar que falasse tudo o que precisava, de ouvir até críticas quanto ao meu descuido com a família, uma vez que a minha gula poderia levar todos à morte por causa da gripe suína. Após longo discurso da assustada moça, obesa e cheia de péssimos vícios alimentares, sentei-me com ela no sofá da sala e expus com cuidado o que era a tal gripe e como podíamos nos contaminar. Disse a ela que deveria ligar o rádio e a TV e ouvir bem os noticiários ou procurar o centro médico da região para saber que o máximo que a carne de porco podia nos render em termos de doença era a cisticercose ou solitária mesmo, para ela melhor entender, caso comêssemos a carne crua ou mal passada. Após a longa explicação, ela ainda não admitia a hipótese que devíamos comer carne de porco sem medo. Ela então se referiu aos chiqueiros e falou que na cidade há alguns e que as pessoas que trabalhavam nas roças deviam ficar em quarentena. Novamente tivemos um diálogo e eu mostrei a rara possibilidade de ela pegar a gripe suína, que já tinha outro nome na mídia, talvez para evitar a chacina dos porcos. Alguém que teria ido ao exterior, a um país que tivesse o foco da doença, teria que entrar em contato com ela ou mesmo alguém que teve contato com alguém que esteve no exterior e que fosse até ela, poderia contaminá-la. Havia pois uma rara chance disso ocorrer já que para chegar em Ouro Preto, há que se passar em outras cidades com portos, aeroportos e grandes terminais rodoviários, um filtro para a doença. Ainda um pouco intrigada com tudo o que a mídia divulgava, ela então disparou-me mensagens sem nexo dizendo que a gente não podia mais comer nada já que onde há chiqueiros há esterco e que esse era comprado no mercado e ela mesmo colocava nas bases das verduras que plantava. Horrorizou-se, quase chorou quando imaginou pássaros na proximidade das pocilgas e depois depositando suas fezes na horta de alguém. Numa última tentativa, mostrei a ela que houve gripes piores, tal como a espanhola e ela ficou catatônica. Foi para casa, teve febre, delirou.... Chegou a crer que tinha se contaminado pela mal falada gripe... Na clínica foi diagnosticada como portadora de um simples resfriado. Até que ponto informação ajuda uma pessoa a se tornar melhor? Então concluí: a inlfuenza influencia... |