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Lucia Mello

[ Lucia Mello ]
Escritora, redatora e editora de livros. Aborda temas espíritas, esotéricos, holísticos, terapêuticos e espiritualistas.

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Tomo remédio como veneno

"Ah! Essas pernas que doem... como é ruim minha circulação.
Um médico, uma vez, recomendou que eu tomasse um comprimido de aspirina infantil por dia para estimular a circulação.
Bem, estou fazendo isso agora. Mas minha vizinha, super solícita, me ensinou que ginkgo biloba é uma maravilha contra problemas de circulação. Ótimo, vou tomar também.
Afinal, é natural e o que é natural não pode fazer mal agum".

O caso acima reflete a conduta de pensamento de grande parte da população brasileira. Conceitos equivocados como este, de que "se é natural, não faz mal", são a causa de inúmeras consequências desastrosas para o ser humano, sobretudo, no campo da saúde.

A composição acima referida de ácido acetilsalicílico (aspirina) com ginkgo biloba provoca um refinamento excessivo do sangue, podendo causar hemorragias internas sem que a pessoa se dê conta, depois, da origem desse sintoma.

Como a ginkgo biloba tornou-se extremamente popular nas últimas décadas, especialmente, entre idosos, por ativar o centro da memória, reduzir tonturas, acabar com zumbido no ouvido, aliviar dores das pernas e braços e prevenir e atacar tumores no ovário, mamas, fígado e cérebro, é necessário que seu uso seja indicado por um especialista com conhecimentos farmacológicos que esteja atento para o efeito nocivo desse tipo de combinação.

Não é raro uma pessoa tratar de dois males simultaneamente, e estudar a combinação entre os componentes de cada remédio, seja ele alopático ou fitoterápico pode evitar complicações ainda maiores.

O principal efeito de misturas não recomendadas, nocivas mesmo, é a intoxicação.
É alarmante o número de pessoas que chagam ao ambulatório vitimadas por crises alérgicas e intoxicações por conta do abuso de medicamento ou uso incompatível de duas ou mais substâncias entre si.

A gimkgo biloba, para continuar no exemplo, só pode ser ministrada se há pelo menos dez dias a pessoa não tenha ingerido aspirina.
Quando o excesso resulta em processo alergênico, é muito provável que venha a ser necessário o emprego da cortisona, cujos efeitos colaterais são dos mais temíveis.

A pessoa, então, começa a tomar corticóide para cortar a alergia. Isso vai combater o processo alérgico e somente por seu uso, a cortisona atacará também os rins, o fígado, o pâncreas... tomara que esses órgãos estejam em bom estado de saúde para suportar a carga! Só que, além disso, surge uma inflamação terrível no dente e o dentista prescreve o famoso diclofenaco potássico (cataflan).

A pessoa vai tomá-lo porque não quer continuar com a dor de dente. O perigo, então, já é outro, pois a mistura de diclofenaco potássico com corticóides geram sangramentos e úlceras.

Num ciclo gradativo de patologias que se somam umas às outras, o que começou com inocente conselho de uma vizinha pode mesmo comprometer toda a sua saúde e até levá-lo à morte.

A obsessiva onda de emagrecimento compulsório que assolou o mundo do final do século 20 e que ainda exerce seu poder nos dias de hoje, causou uma avalancha de casos clínicos originários da mistura de remédios para emagrecer e antidepressivos.

Essa composição causa aumento da pressão arterial e taquicardia, compromete o bom funcionamento do organismo, muda o ritmo de vida da pessoa e lota os núcleos de atendimento cardíaco dos hospitais e prontos-socorros.

O mesmo ocorre com a mistura de inibidores de apetite e ansiolíticos, que além de alterar os batimentos cardíacos, também pode gerar psicoses e esquizofrenia.

O problema é que a atenção não deve se dirigir apenas para os medicamentos. A mistura destes com simples alimentos também podem ser nocivos. Mesmo quando não causa novas patologias, a alimentação incompatível pode neutralizar ou diminuir a ação do medicamento.

É o caso da ingestão de gordura no mesmo espaço de tempo de duas horas antes e depois de se tomar um broncodilatador, por exemplo.

Há uma lista imensa de incompatibilidades que deve ser estudada. Pelo paciente, para que se proteja desses efeitos danosos e para questionar aos médicos; e a estes, para que não sejam os responsáveis pelo agravamento do quadro clínico ou surgimento de novos sintomas e patologias.

Macrobióticos costumam estudar os princípios ativos de plantas e alimentos para manterem a saúde, e constatam que pão com queijo, uma combinação tão popular e usual em todas as mesas, não passa de mero processo para engordar, já que os componentes de um anulam os do outro, impedindo o objetivo principal, que é a nutrição.

Há uma responsabilidade implícita do ser humano para com seu próprio corpo e a manutenção de sua saúde. Quanto a isso, quanto mais você se mantiver atualizado com as informações de compatibilidades e incompatibilidades, melhor.

Automedicar-se sem qualificação é um crime contra a própria natureza. A solução é buscar um médico, mas não submeter-se a uma prescrição incauta. Ou seja: se o seu médico prescrever uma receita sem perguntar antes seus hábitos alimentares, se você costuma tomar chás ou produtos naturais para a saúde ou se está sob outro tipo de tratamento medicamentoso, pode desconfiar e exija maior atenção. Afinal, se algo der errado no meio do caminho, é você quem sofrerá as consequências.

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