Eu via a mídia de forma diferente como a vejo hoje. Eu lia jornais e assistia telejornais mas foi apenas após entrar num curso de jornalismo que me despertei para a importância da mídia na vida e na conduta das pessoas.
Você já percebeu que após a mídia divulgar notícias de pedofia, esquartejamento de pessoas, crimes passionais, chacinas e detalhados assaltos a bancos e a outros espaços, parece que as pessoas tendenciosas começam a praticar os mesmos crimes noticiados? Se não percebeu, comece já a fazê-lo.
Não fico contablizando tragédias mas quantas crianças foram atiradas de prédios ou simplesmente caíram deles após o caso Isabela Nardoni? Uma menina apareceu esquartejada dentro de uma mala no sul do Brasil e após ela, ficou comum ver esquartejamentos de todos os tipos no país. Assaltos típicos a ônibus desapareceram. Agora se seguem os padrões daqueles apresentados com vigor na mídia televisiva. Enquanto a violência passional não era midiatizada, ficava-se sabendo de um ou outro caso ocorrido em algum lugar. Mas após o evento trágico na cidade de Santo André,em que namorado sequestra a amada e depois a mata, já li ou ouvi tanto sobre casos parecidos. Os bandidos têm seus mais de quinze minutos de fama, aparecendo na telinha, dando entrevistas a jornalistas, se mostrando e se sentindo os heróis da trama.
Sinceramente, acho necessário fazer um estudo profundo sobre os valores da recepção das informações em nossas casas e locais de trabalho. Num espaço estressado, com tanta gente com orgulho ferido e tantas doenças mentais ocultas, poderemos ser a próxima vítima de um vizinho qualquer, de um amigo ou de um desconhecido só porque ele se inspirou em caso apresentado com pormenores pela mídia. Embora eu admita que amanhã, já jornalista formada, eu precise informar as pessoas, os valores nóticas crime e violência serão por mim menos enfatizados. Prefirirei falar de descobertas científicas, do uso de veneno de cobra para curar feridas, da necessidade de se manter a floresta ou de algo que nos ensine a vida e não a como destrui-la. A mídia tem que fazer seu papel mas é preciso cuidar quando se percebe que o receptor se assemelha ao leitor de um livro de ficção que considera que o que o autor escreve é real e pode ser copiado, como no caso dos livros que tem como trama assassinatos e grandes roubos. A diferença é que hoje as pessoas quase não leem mais e se fixam diante da TV...