Os Estados Unidos fizeram um escândalo quando alegaram que o Iraque tinha armas de destruição em massa. Sadam respondeu que não tinha. Bush insistiu.
A pergunta é: invadiram porque acharam que iriam encontrar as tal armas, ou invadiram porque sabiam que não tinham mesmo?
Pense se a resposta tivesse sido diferente: “Sim, é verdade, temos sim.” Teriam invadido?
Esse é o caso da Coreia do Norte atual. Dizem estar reagindo à politica norte-americana. Sadam foi derrotado não porque tinha armas nucleares, mas porque não tinha.
Parece inexplicável a hostilidade dos norte-coreanos, mas estão protegidos de uma eventual invasão, como aconteceu no Iraque, pelo menos aparentemente. O discurso deles é interessante.
Se há pouco os Estados Unidos vociferavam, e davam seus “ataques de pelanca”, como se diz na linguagem popular, bradando “Vocês tem armas nucleares; vamos invadir.”, hoje a Coreia mostra a eles: “Nós temos armas nucleares, e aí?”
É com um usual ar cínico que Tio Sam diz: “Que absurdo, que hostilidade! Para que tanta violência?”
Ninguém quer ver testes com bombas pesadas no nosso planeta, vindo daquele povo sisudo, diferente e mal-encarado, mas é ainda mais atordoante enxergar essa violência como um ato de hostilidade descontextualizado e sem motivo.
Sem motivo, não é. Ninguém deve estar gostando, claro, mas, como dizem os estadunidenses, “they are watching their asses”.