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Elisabeth Camilo

[ Elisabeth Camilo ]
Bacharel em tradução. Escritora de crônicas na Agenda Cultural de Ouro Preto há 25 anos.

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A pior forma de matar

Alguns conceitos giram como elétrons em torno do meu cérebro.  Atualmente, os conceitos de rótulo, estigma, preconceito, extorsão e pressão psicológica se mantêm dentro do meu cérebro numa instigante busca de conceitos e efeitos adversos.  Meu professor me disse que me tornei vulnerável aos estudos de sociologia e que é isso é bom porque me torna lúcida para problemas que tormentam o mundo.  Exatamente agora, penso, medito, analiso o poder das palavras sobre o comportamento das pessoas, como elas podem nos fazer crescer ou podem até nos matar.  Qualquer um de nós pode ser a próxima vítima de uma mentira, uma calúnia, uma má interpretação do que foi dito, de uma chantagem.

A psicologia nos alerta que carícias podem ser positivas ou negativas, carícias sendo tudo aquilo que toque o nosso ser física ou espiritualmente.  Assim, certas frases ou rótulos podem nos marcar para sempre, nos tornando hostis, frios, calculistas, psicopatas.  Se a infância inteira eu escutei que sou feia, posso me entender como uma e entrar na agorafobia ou no ostracismo, me sentindo mal amada ou virar uma consumista de cirurgias plásticas, cosméticos e moda, tudo tão efêmero.

Acho que devemos chamar os negros de negros e não de pretos.  Creio que devemos alcunhar os homossexuais como homosexuais apenas e assim sucessivamente até que os pré-conceitos (de onde vieram os preconceitos) se anulem e sejamos felizes.

O rótulo é uma péssima forma de tratar o outro.  Ser a mais ou a menos inteligente de uma sala de aula traz efeitos positivos e negativos.  Se tiro nota ruim e sou menos inteligente, isso já era esperado mas se tiro a mesma nota ruim e sou o cdf da turma, todos vão se respaldar em minha média para justificar a sua.  Se sou rotulada como louca, posso deitar no meio da rua que ninguém vai me imaginar cometendo um suicídio.  Para mim, rótulo e estigma são irmãos gêmeos e siameses.

De qualquer jeito, nós deveríamos ver o outro como o outro é, sem impor nossas sugestões e sem propor modificações que visem tornar o outro como nós queremos que ele seja.  

Um exemplo de rótulo negativo é a questão da política.  Existem políticos bons mas serão sempre colocados no meio de todos os outros que são corruptos e por causa disso jovens já pensam em político como algo que não deve ser avaliado como bom .  Sou vítima de rótulos desde criança e consigo sobreviver a eles mas há pessoas que, diante deles, ficam loucos, se matam, se enrijecem socialmente, se tornam mártires ou heróis ou o elemento negativo de um determinado extrato social.

Há poucos dias, assistindo a um telejornal da Globo, quando uma jornalista interrogava o jogador Adriano, recentemente ingresso no Flamengo, questionou-o sobre a vida dele na comunidade que ele defendia ser boa e teve como resposta que na favela há gente boa e má mas lá não há preconceito de forma alguma.  Vi no diálogo da jornalista preconceito contra favela.  Não pode ser assim, não devemos rotular as pessoas.

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