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Jurandir Araguaia

[ Jurandir Araguaia ]
Escritor goiano. Premiado no Concurso FC do B - Panorama 2006/2007 (www.fcdob.com). Publica textos que tratam com bom-humor o cotidiano, quando a situação permite, e mordiscando universos fantásticos...

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A Impunidade dos Crimes Virtuais

Leio estarrecido (O Popular 13 de junho), que grande maioria dos crimes praticados pela Internet, em Goiânia, ficam impunes. Não é uma grande novidade na Terra Brazilis, chegando a soar como instância sagrada no lugar comum. A estatística, força estarrecedora de apelo descomunal, dessa vez encontra-se do lado dos bandidos de dedos ágeis como nunca. Apenas 9% dos inquéritos abertos pela Polícia Federal para investigar fraudes em contas bancárias, clonagem de cartões e pedofilia praticadas pela Internet resultam em denúncia ao Ministério Público Federal.

Conclui-se que as gangues andam soltas infernizando a vida de cidadãos trancafiados na rotina desafiadora e insana de nossos espasmos cotidianos. Bons tempos eram aqueles em que até o meliante era visível. Saíamos para passear após o jantar (outra raridade na vida, não se janta mais: come-se um Fast-Food ou requenta-se qualquer outra porção de nutrientes temperados no fabuloso microondas.) e um meliante (fruto das sociedades capitalistas que não sabem distribuir bem a renda: exemplo bom é o de Fidel que acumulou tudo sozinho facilitando as coisas.) aparece-nos por detrás de uma moita apontando-nos o esgarçado 38 adquirido a duras penas.

- É um assalto!

Que coisa mais linda. O meliante na nossa frente dando a cara a tapas, sem medo de se esconder atrás de um teclado na ilha de Fiji, que também pode ser a casa ao lado, nos aponta o tubo negro diretamente nas narinas. Nostalgicamente lhe passamos a carteira:

- Posso ficar com os documentos?

Ele, como um bom cidadão, fraterno nessas horas, sendo próprio do instinto brasileiro a solidariedade, consente e ainda, humildes, agradecemos e divulgamos:

- O cara era gente boa. Ainda me deixou ficar com os documentos! – Muitas vítimas, inclusive, deixam de registrar queixa na polícia.

- Para quê? O coitado devia ter família e nessa crise... – Sempre tem uma crise. Desde que os meus ouvidos se conectaram ao mundo deixando as fábulas infantis adormecidas escuto a palavra CRISE. A única crise que nunca nos abandonou é a de Moralidade. Sendo que se todos defendêssemos, o tempo todo e a todo custo os verdadeiros valores da vida, seríamos salvos de uma série imensa de infortúnios que nos atormentam.

O que mais me apavora é saber que os ¨cyber-criminosos¨ flutuam nas nuvens da impunidade, principalmente, graças à defasagem dos métodos de investigação utilizados.

- Para onde flui o dinheiro dos impostos? – É o berro preso na garganta. O grito entalado no tubo, que deveria dar voz ao povo e do qual somente sai um gemido medroso ao passo que escândalos são grampeados sob os carpetes de Brasília, torna-se quase um nada. Defasagem tecnológica. Os bandidos sempre à frente. Nos morros de pó (e a ele tornaremos juntos, abençoados ou não) as armas rústicas dos guardiões da lei sucumbem diante do armamento de primeira linha importado pelos senhores do crime.

Modernize-se e se prepare a polícia, com armas, computadores, salários descentes e treinamento constante montando equipes de especialistas em combater os criminosos virtuais. Aperfeiçoemos as leis instaurando no arcabouço jurídico os crimes que nos aviltam, e humilham, não permitindo que a impunidade seja tão transparente.

Enquanto isso segure seu cartão de crédito, cuidado com a senha e denuncie a pedofilia. De resto, que os antivírus nos protejam.

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