Eles votaram pela não-obrigatoriedade do diploma para jornalistas. Pior ainda, eles disseram que jornalistas, cozinheiros e costureiros são profissões semelhantes, que se aprendem no simples ato de ver fazer, na prática sem teoria, de forma empirista, sem ciência, sem referência. Eles tentaram consertar o erro dizendo que os cursos de jornalismo são úteis para que se aprendam algumas técnicas mas deixaram nas entrelinhas que qualquer um é capaz de exercer a profissão.
Eu gostaria de ver os porta-vozes do governo, na grande maioria jornalistas com mestrado e doutorado, sendo substituídos pelos cozinheiros de Brasília, com avental e facão, sujos de suco de beterraba, cheirando a peixe, dizendo que o presidente do Brasil viaja para a Ásia em busca de novas receitas para o país. Os jornalistas responsáveis pela revisão do Diário Oficial e por outros jornais governamentais picando alhos e cebolas enquanto preparam matéria para informar o povo sobre qualquer questão polêmica, como as fraudes do Senado, por exemplo, seriam excelentes para direcionar a opinião pública e manter o status do presidente nas pesquisas de aceitação nacional. Como estariam chorando, por causa das cebolas, quem acreditaria neles?
Durante as eleições vindouras, os costureiros da Dilma, do Serra e do Aécio seriam ótimos para enviesar o voto para candidatos que a imprensa aponta, mesmo através de críticas negtivas, como os melhores e os piores. Votem em fulano/a porque eu costuro as roupas dele/dela.
Não é de se estranhar que sete ministros do STF votem contra a obrigatoriedade do diploma para jornalismo e vejam nesses profissionais criaturas sem valor acadêmico. Faz pouco tempo alguém mandou a imprensa e a opinião pública se lixarem. E há quem diga que esses profissionais sejam bisbilhoteiros, sensacionalistas e outros adjetivos perjorativos.
Digam-me, por favor, você tem certeza de que aquele bife que você come no restaurante de fato é de carne fresca e de primeira, de boi orgânico vindo de uma área nunca antes desmatada? Você pode comprovar que o palmito de sua salada, servida num restaurante de Brasília, não é pirateado no Acre? E que a roupa que a madame usa e que custou uma fortuna foi mesmo feita integralmente na França? Um jornalista diplomado, através de fotnes e investigações, pode comprovar isso mas nem o cozinheiro nem a costureira podem fazê-lo.
Se qualquer um pode ser jornalista hoje, porque as universidades federais lançaram cursos de jornalismo, adquiriram obras caras e valiosas, investiram em seus alunos? Talvez para, num concurso público, lutarem face a face contra qualquer pessoa que ache que pode ser jornalista. O argumento de que alguns jornalistas mentem e fogem à ética, que tal, a partir de hoje, pedirem documentos da procedência do que você come ou autógrafos das fontes que costuraram o terno que o presidente do STF usa nesse momento? Tem ele certeza que o seu costureiro nunca mentiu ou que seus cozinheiros de fato foram absolutamente verdadeiros quanto à forma que fizeram seus pratos?
Diploma dá certeza de que alguém fez vestibular, passou por mérito, estudou pelo menos quatro anos, estagiou e possui capacidade para trabalhar com qualidade. Abaixo o conformismo!