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Nylton Batista

[ Nylton Batista ]
Redator de jornal há cerca de vinte anos. Também escreve contos, alguns dos quais publicados em antologias.

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Sinais de volta no tempo para a família?

Recentes estudos revelam que aumenta o número de solteiros de ambos os sexos, acima dos vinte anos, que continuam a morar com os pais, deixando para mais tarde o abandono do ninho de origem e constituição de sua própria família. Percebe-se, nas considerações sobre o estudo, velada crítica contra esse comportamento, como se movido por puro comodismo configurado por cama, comida e roupa lavada, além, é claro, do carinho paterno/materno. Os próprios entrevistados revelam estar a preparar a segurança financeira para, só depois, sair de sob as asas dos pais.

Entretanto há que se considerarem outros fatores, não investigados nos estudos, talvez causas menos visíveis, porém com mais influência no novo comportamento, quiçá meia volta no sentido da família mais agregada; o que poderia contribuir para a melhora do arcabouço do núcleo familiar, bastante abalado nos últimos cinqüenta anos.

Depois de longo império da família solidária, três ou até quatro gerações em volta do casal patriarca/matriarca, experimentou-se a dispersão, em busca de mais liberdade individual na realização econômico-financeira. A experiência valeu quanto à busca do sucesso econômico/financeiro enquanto o indivíduo não percebeu que a liberdade conquistada era muito frágil em vista da insegurança cada vez maior, longe do apoio moral e do afeto só encontrados no seio da família. A liberdade é boa e todos a merecem, mas ela não impõe redução dos vínculos familiares a contatos esporádicos, especialmente se considerada a necessidade que cada pessoa tem, em dados momentos, da proximidade dos do seu sangue. Como ser social, o humano tem como base de suas realizações a família, ainda que haja, entre seus membros, divergências; divergências que dificilmente são maiores que as encontradas ao longe, nos muitos momentos de batalha pelo sucesso.

A nova tendência detectada nas pesquisas é bom sinal para o futuro da família, sobretudo agora que ela se reduz quanto ao número de filhos, ocasionando a solidão do casal cada vez mais cedo, por força da dispersão daqueles ainda na fase solteira. Que não se confunda, no entanto, o comportamento dos filhos, que retardam o voo solo, mas se somam na responsabilidade pelas despesas, com aqueles que também ficam, porém pela razão de que não querem se manter por si próprios, se podem ser sanguessugas dos próprios pais. Os primeiros partilham afeto, os segundos, desconfianças e discórdias.

Estas considerações se escoram, de certa forma, no que demonstra a novela “Caminho das Índias”, em relação à família indiana. Afora a discriminação por meio das castas, superstições próprias da cultura - estranhas para nós que cultivamos outras - e outros exageros, ainda segundo o nosso julgamento, a estrutura familiar é a garantia da sociedade indiana que, mesmo marcada por fortes contrastes entre opulência e miséria absoluta, alto saber científico e analfabetismo, apresenta baixos índices de criminalidade dentro de uma população de mais de um bilhão de habitantes. A vida do indivíduo gira em torno da família e é construída em função dela.

A personagem Camila, típica e frívola adolescente, em constante confronto com a mãe para não perder oportunidades junto ao pai, parceiro em pilantragens da segunda mulher, embarcou em casamento dentro de família indiana. Apaixonada pelo rico indiano, seduzida pelo luxo, luta agora com os rigores dos costumes domésticos, chamando sobre si a ira dos mais velhos e a chacota dos mais novos da casa. Assumiu com facilidade o uso de jóias e das exuberantes vestes, mas seu relacionamento se faz aos tropeços e esbarrões com os novos familiares, pois a liberalidade ocidental ali não tem vez. Ao contrário da rebeldia junto à família de origem, na nova vida, ela tem se comportado com humildade, mas até quando? Passados os primeiros momentos da novidade, ela terá que encarar a realidade, da qual nossa cultura não tem nem dez por cento em disciplina, respeito e obediência.

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