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Marlene Bastos

[ Marlene Bastos ]
Bacharela em C. Contábeis, Profª de Inglês, Radialista e Func. Pública

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Antes que o sol se ponha!

Antes que o sol se ponha! - ela disse para si própria.
Logo o sol vai se pôr, o dia findará e perceberás que não se deu à liberdade de permitir-se.
Perdeu-se em pensamentos vãos, em memórias furtivas enquanto a claridade do dia fugia-lhe.
Talvez termine a claridade da vida sem que tenhas tornado possível coisas que nunca se permitiu.
Viajar, conhecer outras culturas, escrever um livro, morar numa casinha à beira da praia.
Enquanto é dia, permita-se! - ela insistiu severamente.
Quem sabe o pôr do sol te lembres de tudo o que deveria ter concretizado ainda em tempo e não o fez.
Antes que caia a noite!
A noite é inevitável e, nesta época do ano, imensamente fria.
Quando a última noite chegar não haverá mais tempo.
Tempo para tomar sorvete, para gargalhar, para dar um abraço, cantarolar, visitar os amigos, ir à igreja, tomar outro sorvete.
Permita-se enquanto podes!
Pois certas coisas tem o seu próprio tempo, dia, hora e minuto para se tornarem possíveis.
Antes que o sol se ponha! - ela repetiu sem convicção alguma.
Se tiver sorte, um outro dia nascerá, o sorvete ainda estará lá, a gargalhada congelará,
o abraço esperará, os amigos não se irão, a igreja resistirá...
Estava acostumada com a liberdade do sol de sempre voltar pela manhã.
Mas era como se nunca fosse o mesmo sol de ontem, talvez porque o tempo nunca andou para trás.
Os últimos raios de sol se iam furtivamente, levando os últimos instantes de permitir-se, fazendo escurecer a noite e os pensamentos.

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