A formação do rádio é de extrema importância para o desenvolvimento de um território. É acessível, identifica-se facilmente com o público e carrega consigo a experiência adquirida de uma relação histórica com o local. Apesar de alguns estudiosos não concordarem, nada pode mudar que o rádio já foi e ainda é o meio de maior alcance no universo comunicacional do país e tem grande poder quando se direciona a locais específicos.
O rádio regional serve como porta voz da população, abrindo uma brecha para que a população lute por seus interesses, permitindo assim o desenvolvimento da cultura local. Além disso, o rádio local atua como utilidade pública (informando diversos eventos, achados e perdidos, avisos, marca encontros com familiares perdidos etc.), prestação de serviço, entretenimento, música, esporte e seu grande aliado é a informação, a qual confere a identidade e o fortalecimento da emissora.
Análogo a todo meio de comunicação, o rádio sempre passa por modificações tecnológicas, e como meio flexível ele continuamente muda o formato, mescla gêneros e linguagem para se adaptar com os adventos propostos. Porém, essa facilidade tecnológica tem pontos positivos e negativos; Com a possibilidade de conglomeração em rede, por exemplo, um mercado pôde abranger diversas regiões, resultando numa falta de atenção às comunidades locais e de uma forma ou de outra acabou deixando à margem a cultura e os problemas da localidade onde o mercado radiofônico se situa.
Do mesmo lado, essa tecnologia criou uma vertente para o sucesso comercial, transformando o rádio em indústria e tendo a publicidade como referencial. Políticos e entidades religiosas estão bastantes presentes no controle da mídia. Confirmando essa situação, Jorge Avvalone diz que além dos interesses partidários e religiosos, sobressai-se o interesse comercial, o que tem estimulado a constituição de redes, sobretudo no mercado das FMs. Estima-se que hoje 30% do setor radiofônico do país opere por este sistema, vantajoso sob o ponto de vista econômico, pelo fato de uma emissora cabeça-de-rede produzir a programação retransmitida pelas demais praticamente sem custos.
Dessa forma, percebe-se que quando o interesse comercial e a idéia de aldeia global se instalam, os rádios locais perdem sua identidade e se tornam mais globais, se distanciando assim da realidade de onde está situada, e as que persistem em permanecer locais passam por grandes dificuldades (MEDITSH, E). Com isso, é necessário que as rádios reflitam sobre seu próprio perfil e tomem as melhores decisões diante das transformações comunicacionais-tecnológicas, vetando assim as decisões impostas pelo sistema (capitalista).
Além disso, é importante ressaltar que a presença do rádio local em várias décadas permitiu uma confiabilidade tal que até hoje pessoas são fiéis ao que sai do aparelho sonoro. Sem dúvidas, o rádio tem um incrível poder de mudar a sociedade e a cultura de um povo, principalmente a partir do momento que ele focar a informação (elaborada) como eixo da programação. E quando isso acontecer, a qualidade do conteúdo, a relevância das informações, a criatividade e a flexibilidade na abordagem dos assuntos serão as referências que fortalecerão a rádio e conseqüentemente trará audiência e sucesso financeiro, sem precisar se transformar em um veículo apelativo ou se aglomerar às empresas globais.
Em suma, mesmo morando em grandes centros é válido reconhecer a importância que o rádio regional tem, principalmente, para as populações que não tem energia elétrica, que moram em zonas rurais ou ribeirinhas, que estão abaixo da linha de pobreza, enfim, que não compartilham a mesma realidade que a nossa e precisam de um meio de comunicação que possam situá-las no mundo e em sua região geográfica, e como resultado dessa necessidade existe o rádio, que é a “única” mídia sem fronteiras.