E depois de soerguida a foice,
Eis que a mesma desce,
Fatiando em mil tiras a minha memória.
Pedaços que recolho aos poucos,
Temendo que o vento as carregue,
Ou que os corvos as devorem com
Seu negros olhos presos nas
Suas órbitas nuas.
Surpreendido,
Vejo aquelas águas que descem das nuvens
Em cachoeiras translúcidas,
Carregando os nacos que não consegui reunir,
E,
no meu desespero,
Por agregá-los todos,
Eis que perdi mais alguns.
Vejo sumir pelo ralo daquelas ruas
E becos
Nomes, amores, estações,
E também algumas dores.
Chorando busco uma taberna,
Aonde peço um pouco de gordura,
para juntar o que restou com calma,
Guardando-os de volta,
Dentro do oco da minha alma.