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Vanise Macedo

[ Vanise Macedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Professora de Português da rede pública e revisora de textos.

 

Água e chapinha não se misturam

Algumas vezes por semana, o compromisso se repete. É preciso lavar o cabelo, passar o termoativador ou o antifrizz e aguardar que seque. E quem tem cabelo cres-po, volumoso e grosso sabe o quanto ele demora a secar! Provavelmente, só no final do dia. E, aí, a arte começa.  

Divide-se mecha por mecha do cabelo com pregadeiras enormes, enquanto a prancha - já ligada - atinge a temperatura elevada o suficiente para pôr fim em nossas infindáveis ondas e caracóis nada bem-vindos. E é nesse momento que a boa vontade e a teimosia falam mais alto. E somos perseverantes. Não há chuva ou insistência da na-tureza que nos faça desistir de ter cabelos finos e lisos (extremamente lisos, eu diri-a). A despeito das forças contrárias, todo e qualquer esforço é feito para que os en-caracolados sumam de vez.

Por intermináveis minutos que podem atingir meia hora ou até uma, fios são ali-sados com a prancha, que deixa escapar uma fumaça constante que, de longe, faz lem-brar o ferro quente (bom, não tão longe assim...). Modernidade à parte, nossas avós já eram fãs do estilo japonês, agarradinho à cabeça de tão liso e fino.

Sim; sou chapeada. Tenho cabelos naturalmente alisados. Desonrando a descen-dência afro, há alguns anos, após me tornar adepta da escovas (progressiva, de dia-mante, de chocolate, de ervas, de morango, definitiva, inteligente, japonesa...), religio-samente, de dois em dois dias, o banheiro e o espelho me esperam, cúmplices, pro ritu-al. Sem a chapinha não vivo. Lembro o dia em que ela enguiçou enquanto a usava. Come-çou a saírem chispas, e eu tentava prosseguir na modelagem. Céus! O mundo parecia acabar. Metade do cabelo liso; outra metade, arrepiada. Foi aterrorizante.

Bom, voltemos aos dias normais... Tudo pronto: cabelo seco, domado pelo creme de pentear pré-chapinha, pregadeiras suficientes para segurarem os cachos ainda re-beldes e prancha bem quente – a deusa das mulheres afros. Não importam a TPM, a enxaqueca, a pilha de roupa pra arrumar, o jantar por terminar ou o interfone tocando. É momento de alisar, vagarosamente, a prancha, mecha por mecha, para fazer a mági-ca acontecer. A fada madrinha das mulheres infelizes de cabelos crespos, invisivel-mente presente, ajuda a transformar o volumoso fio em comportado.

Depois de muitos minutos passando a chapinha em cada mecha, já com dor nos braços, repassando em outros fios que se mostram rebeldes e que precisam de reto-ques, e de algumas queimadas na ponta das orelhas, percebe-se que é hora de domar os que permanecem eretos, entregando a qualquer um que acabamos de... fazer chapi-nha!
Nós fazemos chapinha, sim! Assumimos. Mas não gostamos quando alguém nos aborda, afirmando isso, por causa desses cabelinhos em pé, sempre bem à frente, no penteado. Então, existem os milagrosos cremes de pentear pós-chapinha, em geral, um óleo reparador. Basta um pouquinho sobre os fios mais teimosos. Pronto, tudo acomo-dado, impecavelmente arrumado e assentado.

Aí, depois da guerra pela acomodação, vem a luta pela sobrevivência. A rua nos espera. Precisamos sair pra trabalhar, buscar filhos no colégio, fazer compras e namo-rar. E dar conta de todas essas atividades com cabelos chapeados é uma aventura que nem Indiana Jones suportaria!

Se está muito calor, auge do verão, nossa preocupação é não suar muito e ter de lavar os cabelos mais vezes ao longo da semana. Imagine o ritual da chapinha diaria-mente! Uma loucura. Se é inverno, faz muuuuito frio e está chuvoso, os inimigos são o vento, a água ou a mera umidade atmosférica. Pequenas gotas ou o vapor são suficien-tes para arrepiarem os cabelos (às vezes, aqueles mesmos que se acomodaram com o oleozinho). E, nesses momentos, faltam marquises, caronas, guarda-chuvas, abrigos subterrâneos, homens gentis, etc. Sem falar que surge um sem-graça que grita “Cui-dado com a chuva!”, como se a chapeada não fosse a primeira a perceber que começara a chover. A gente dá um sorriso de Monalisa e, na mente, pensa em como fugir da água e matar o engraçadinho, ao mesmo tempo. Devido à emergência da situação, acaba-se priorizando a primeira questão.

Salvas do perigo, só nos resta avançar sobre o espelho mais próximo e conferir o estrago (ainda assim, fugindo do olhar daquele ou de outro brincalhão que só está à espera disso mesmo...). Ufa! Apenas alguns fios fora do lugar, ouriçados. Chegando à segurança do lar, basta uma repassada rápida da chapa que tudo volta ao normal.

Bem, quase tudo. Ainda há os problemas com o namorado. Por que homem tem mania de ficar alisando nossas cabeças? Isso só é bom naquele dia em que a chapinha deu totalmente certo, em que tivemos três horas e meia pra arrumar o cabelo. E, pra completar a tragédia, o namorado quer dar aquela esticadinha no motel. Hum, mais uma vez, a tarefa é fazê-lo entender que, lá, o importante não é a banheira, mas a cama. Hidromassagem, ofurô... Isso não combina com chapinha, minha gente! Melhor fugir. Quando os homens vão entender isso?!

É como digo... Quem não nasce com cabelo liso vive constantes perigos, dia a dia. E, nessas horas, eu me pergunto: que foi que eu fiz pra merecer isso?





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