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O Poder do Encanto
O olhar se deita triste sobre o tempo morno. Preciso é que se suba a dignidade do mundo em seu entorno. Bate uma onda de tristeza e terror nesse giro no fim do mundo. E ele se acaba, e também começa, todos os dias para alguém. Sabe a criança que nasce o destino que a espera? Não se pode perder, nunca, para se manter jovem para sempre, Aquele olhar de admiração que lançamos ao admirar o brilho, O som, As luzes e as cores que cercam a magia do primeiro carrossel. Quando o peso dos anos começa a se avolumar, Quedando a coluna sob a sofreguidão de muitas dores, Eis que se pode aprumar e erguer a cabeça, Caminhando firme em direção ao poente Sem deixar esquecer o encanto do nascente. O encanto. Eis o que disse Edna O´Brien em sua passagem por Parati: - Deve-se escrever procurando alcançar o encanto. Essa a questão. Não adianta dar forma incrível, Milimétrica, Poética aos textos se esses não dobram o leitor ao sentimento. Seja na prosa, No verso, Na sombra que habita entre ambos; Ou no conto, Na crônica, No hiato que respira no espaço que os une ou os separa; E, Sem esquecer do romance, O tempero do encanto é a essência Que faz toda a diferença. A literatura pode e deve encantar, Ousando, Dilatando, Esculpindo novas formas e escavando trincheiras, Expandindo fronteiras, Perdendo, Vencendo, Mas sempre, como diz a canção: - Seguindo adiante! Nunca deixemos de andar e nos recordemos que: - Apesar de mim mesmo amanhã será outro dia... |