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Bruno Zanette

[ Bruno Zanette ]
Estudante de jornalismo

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Seu time perdeu? Demite o treinador!

Futebol é feito de resultados. Embora, muitos não concordem – preferem perder jogando bonito – é o resultado que determina o futuro de uma equipe. Prova disso, é que mesmo com a campanha que a seleção brasileira vem fazendo nas eliminatórias sulamericanas, e as conquistas da Copa América (2007) e Copa das Confederações (2009), ainda há torcedor contestando o trabalho do técnico Dunga. A falta de experiência do treinador não vem sendo problema para o time pentacampeão mundial.
Quando os resultados positivos não aparecem, a primeira pessoa a sofrer as consequências, é o treinador. O primeiro a ser demitido. Só na 18ª rodada do Campeonato Brasileiro 2009 foram três as vítimas. René Simões não aguentou a goleada sofrida para o Cruzeiro por 3 a 1, em pleno Couto Pereira, e caiu. Assim como ocorreu com Ney Franco, no Botafogo, após perder em casa para o Atlético Paranaense por 1 a 0. Atlético esse, que até pouco tempo lutava para escapar da zona de rebaixamento, e agora já acumula três vitórias seguidas, desde que Antônio Lopes voltou à Arena da Baixada. A terceira vítima do Brasileirão foi Paulo César Carpegiani, o PCC, demitido após o empate em 2 a 2 com o Fluminense, em Salvador, mesmo após ter feito um bom início de campeonato.

Conta-se nos dedos de uma única mão as equipes que ainda não demitiram treinadores no período de um ano. Corinthians de Mano Menezes; Internacional de Tite; Cruzeiro de Adilson Batista; Goiás de Hélio dos Anjos; e Avaí de Silas. São Paulo, Palmeiras, Santos, Flamengo, Grêmio (a lista vai longe), todos esses já demitiram treinadores nesse período. Esses times mantêm a escrita no país de não permanecerem por muito tempo com os mesmos comandantes. Diferente do que ocorre na Europa, onde um treinador é capaz de ficar por várias temporadas.

As diretorias dos clubes brasileiros anseiam por conquistas o mais rápido possível, sem ao menos darem a chance dos técnicos conhecerem a fundo seus jogadores. Luiz Felipe Scolari, o Felipão, é um exemplo de treinador que precisa de tempo para se colher bons frutos. Foi assim no Grêmio, Palmeiras e seleção brasileira. Tivesse a CBF demitido o treinador de Passo Fundo (RS) logo após a sofrida eliminatória sulamericana para a Copa de 2002, será que teríamos ganhado o título? Penso que não.

Os clubes muitas vezes também acabam ficando refém dos jogadores, sendo eles capazes de fazerem “corpo mole” para derrubar um técnico. É a velha história: melhor demitir um, do que 11. Acompanhei algo parecido em 2008, quando trabalhava em uma rádio AM, em minha cidade, Foz do Iguaçu (PR). O clube local, o Foz Futebol Clube, brigava para subir à Primeira Divisão do Paranaense após 14 anos. Na antepenúltima rodada do Quadrangular Final, a equipe perdia por 1 a 0 para o Nacional, em Rolândia, Norte do Paraná.

No intervalo do jogo houve uma discussão entre o treinador Carlos Alberto Soav, e o presidente do clube, Loiri Dalla Corte, devido à negativa de um atleta em entrar no segundo tempo, pelo fato de não ter começado a partida! E por mais incrível que pareça, o presidente ficou ao lado do atleta. Resultado: Soav, indignado, ficou de braços cruzados no banco de reservas e o Foz FC tomou mais três gols, perdendo por 4 a 1 e se complicando, quase deixando escapar a vaga, conquistada ainda no “Tapetão”. Carlos Alberto Soav fora demitido, e o atleta, mantido no elenco...

A cultura de treinadores precisa ser mudada no futebol brasileiro, do contrário, muitos técnicos (bons) continuarão desempregados.

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